18/12/2011

DEPOIMENTO DE UMA PROFISSIONAL

Aos 15 anos, ela percebeu que os olhares em sua direção, eram muito diferentes. Quando estava na escola, suas amigas observavam o que ela escrevia no caderno, a cor da sua sandália, seu penteado, se seus seios estavam crescendo... Essas coisas de menina. Os meninos olhavam a mão dela escrevendo no caderno, como o pé parava embaixo da carteira da sala de aula, a parte do pescoço que ficava descoberta e se havia alguma coisa aparecendo.
Ela achava tudo um tédio. Ficava nervosa em época de prova e era proibida de sair. Sua mãe dizia que era por causa das notas, mas ela sabia que também era porque não sobrava dinheiro para um cinema ou passeio.
Logo depois, percebeu que suas colegas começaram a pedir suas coisas, dadas ou emprestadas. Uma queria o prendedor, outra pedia roupas, maquiagem, e assim por diante. Ainda bem que não eram todas, senão teria de abrir uma lojinha.
Os meninos já se mostraram completamente originais, pelo fato de todos quererem a mesma coisa, sempre.
Durante um lanche com uma colega, comentou sobre o que havia refletido em relação ao comportamento das meninas e também dos meninos. A outra lhe disse: "Quando as pessoas querem, pagam para ter". Ela não entendeu toda a extensão do comentário, mas era certo que na bolsa da outra havia mais dinheiro do que ela poderia ganhar durante um ano, apenas vendendo bugigangas.
Numa noite, conheceu um cara que insistiu muito pra 'ficar' com ela. Como não sentia nada por ele, repetiu aquela frase que ouvira. Ele imediatamente perguntou: "Quanto você quer"? Nessa hora ela entendeu o porquê das garotas estarem sempre acompanhadas, com roupas caras e dinheiro no bolso.
Como num relâmpago cerebral, concluiu que meninas atingem seus objetivos a qualquer preço. Cedo, elas já entendem sobre algumas regras do capitalismo... Se muitos querem o que elas têm, nasce uma fonte de renda... Se a procura for grande, o preço sobe.
Os apelidos das suas colegas haviam mudado. Antes, atendiam por 'branquela', 'sequelada', 'tartaruga'... Na última festa que as encontrou (em qualquer lugar sempre tem muito mais homens que mulheres) viu um rapaz se aproximar de uma delas e dizer: "Quer dançar? Como você se chama"? A garota abordada, friamente respondeu: "Trezentos reais".
Atualmente, talvez ganhe tanto quanto as outras, apesar de ter gasto um pouco mais para aprender o que faz. Não, não está fazendo o mesmo, nem agenciando suas antigas colegas. Apenas tenta mostrar aos homens, o quanto são constantemente conduzidos. Além de pagarem pelos 'momentos', ainda precisam, depois, pagar 'outra' profissional para tomarem conhecimento daquilo que já ouviam de suas avós.
Tudo isso serviu para revelar sua vocação. Hoje, ela é psicoterapeuta profissional e - também - está às suas ordens, pela metade do preço, exclusivamente em horário comercial.
José Neto

10/12/2011

PENITENCIÁRIA HEROPHILOS

Uma ação civil pública foi ajuizada com o objetivo de criar  uma Penitenciária federal para corruptos. Uma precisa definição de ideia VAZIA. Talvez se acabássemos com a 'impunidade parlamentar' e invertêssemos a ordem das palavras, poderia haver algum sentido. Quem sabe: Penitenciária para corruptos federais? Desta forma, teríamos lotação garantida, casa cheia, assim como acontece em tantas vielas sem tratamento de esgoto... Cheias e em movimento. Melhor seria se a ampliássemos para aceitação de corruptos das esferas estadual e municipal. Colocaríamos os presos para trabalhar de verdade. Esconder dinheiro deixaria de ser a especialidade da casa.
Conheci uma velhinha que almoçava aos domingos, sempre deixando um lugar à mesa para um duende-alienígena que - segundo ela - chegaria. Me parece que a expectativa se faz igual à anunciada pelo procurador do Mato Grosso do Sul.
O povo vê o dinheiro do contribuinte ser administrado por enormes roedores cinzentos, de pêlo sujo, dentes manchados de sangue, unhas afiadas e narinas comprometidas. O pior é que, dentre esses, ainda há uma espécie de elite-roedora que julga os processos de seus pares. A cada absolvição ou arquivamento, mais um pedacinho de queijo é separado para o conforto de seus familiares.
A atuação desses roedores - de várias maneiras - amarra a movimentação da Polícia Federal, do Ministério Público e do Judiciário, fornecendo muita Muçarela e Parmesão para os abastados jantares comemorativos que espancam a cara da população.
O procurador Rockenbach, autor da ação, disse que pretende 'estudar o cérebro do corrupto'. Seria ótimo se ele homenageasse o médico Herophilos de Alexandria (Grécia 335 a.C. - 280 a.C.) e seus métodos de dissecação de órgãos. Neste caso, a profilaxia correta seria dissecar os cérebros dos corruptos que há décadas dissecam o dinheiro da merenda escolar, dos hospitais públicos, da Previdência Social, da Educação, da Segurança, da Infraestrutura...
A tentativa de construção da penitenciária, embora bem intencionada, pode liberar mais R$12 milhões para serem - também - devidamente... dissecados.
José Neto

15/11/2011

GARGANTA DE PORCO

Tarde de sábado, família no quintal, uma boa 'garganta de porco' (culinária suína) na pressão (panela de pressão), cebolinha, tomate, farofa e algumas cervejinhas no gelo. De repente apertam a cigarra. Era o pessoal da Companhia de Energia, alegando que o relógio da residência estava sem o lacre de segurança. Segundo eles, isso caracterizava suspeita de 'Gato' (ligação clandestina). Entraram, testaram, analisaram, sentiram o cheiro da comida e deixaram o parecer técnico que realmente não havia 'Gato' na rede. Após tudo isso, antes de sair, instalaram um lacre amarelo.
Seguiu o almoço, como de costume.
Uma hora depois, tocaram a cigarra. Era o pessoal da Companhia de Energia. Desta vez, disseram que precisavam investigar o quadro de luz, porque observaram a presença de um lacre amarelo no relógio e isso caracterizava... suspeita de 'Gato'.
Mais uma vez repetiram toda a rotina, sentiram o cheiro da comida e reconfirmaram o parecer anterior que não havia 'Gato' nenhum, descarregando a energia da rua. Antes de deixar o local, colocaram novo lacre, agora, marrom.
Suíno temperado no fogo, molho à campanha saindo e, uma hora mais tarde, castigaram a cigarra de novo. Inacreditavelmente era o pessoal da Companhia de Energia. Disseram que precisavam checar a instalação, porque observaram um lacre marrom no relógio e... antes que terminassem o discurso, o proprietário da casa completou: "E isso caracteriza suspeita de Gato".
Procedimento cumprido... chamaram o dono da casa e - quase secretamente - perguntaram: "Será que o Sr. poderia colaborar com o leite das crianças"? (propina) O proprietário falou: "Por que eu deveria dar dinheiro a vocês? A ligação da casa está dentro da lei". Os funcionários entreolharam-se e disseram: "É... O Sr. tá certo. (Já no desespero fizeram a última tentativa) Então... será que a gente pode participar dessa 'garganta de porco' que tá na pressão desde cedo"?
Depois de todos almoçarem graças a generosidade do bom homem, ele disse: "Nunca vi rato procurar Gato e acabar aceitando porco para substituir leite de criança".
Haja 'garganta de porco' na pressão pra tanta malandragem!
José Neto

06/11/2011

PRESSÁGIO

Mais um jornalista é assassinado no Rio de Janeiro, em busca da notícia e de melhores imagens para aumentar a audiência da TV. Quem se beneficia quando repórteres fazem incursões militares junto com policiais?
Se o povo aceita esse tipo de adrenalina no sofá de casa e se a polícia quer atenção imagética, por que não inserir câmeras nos capacetes da corporação? Pelo menos, eles estão - supostamente - treinados para esse tipo de atuação e risco.
Penso que algumas combinações podem nos oferecer um futuro desastroso. Violência e sexo gerando audiência para satisfazer o capitalismo que contaminou as vísceras da programação televisiva. Pra mim, os próximos passos serão distorcidos e catastróficos.
Visivelmente não há mais qualquer estrutura sustentável no serviço carcerário, e tudo caminha para a privatização do setor. Mesmo não querendo dar uma de profeta, já imagino estúdios de TV se instalando nos presídios que se transformarão em ambientes 'controlados', em laboratórios de seres quase humanos, dispostos a tudo. Desta forma, filmarão e exibirão ainda com mais detalhes os horrores dessa ferida contagiosa, para abastecer novos cofres. É triste prever isso, mas, infelizmente, vejo essa possibilidade.
Além dessas operações atuais, concordo que os policiais devam ter seu ofício acompanhado, também por causa dos inúmeros abusos. Meu voto é para que coloquem lentes-vigilantes nos uniformes dos comandantes de cada missão militar. E, ao final de cada tarefa, as imagens sejam assistidas por oficiais-corregedores e depois distribuídas para as emissoras, caso não haja nenhuma mudança nessa prática.
Sinto muito pela perda de jornalistas no exercício de suas funções não-militares, todavia com resultados colaterais igualmente arriscados.
Temos um grande debate em torno dessa gigantesca pauta que mistura dinheiro, Segurança, drogas, corrupção, mercado-negro de munição revestida, grupos táticos, vaidade e jornalistas em horário de trabalho.
José Neto

30/09/2011

DEU GALO OU PORCO?

Na Loteria dos Animais, acho que 51 é galo e 71 é porco. Nessa mesma notícia (foto), desses 'diferentes' jornais, não consegui decifrar a informação com clareza. A pergunta é: nesse caso, quem são os animais? Espelho, espelho meu...
Será que alguém esqueceu de ligar pra alguém?
Já imaginaram um jogo de futebol com duas bolas em campo? Quem sabe metade do time atacando e a outra metade contra-atacando?
Já ouvi dizer, inclusive, que faltou o 'Cãozinho dos Teclados' no Rock in Rio. Mas nunca ouvi dizer que faltou acordo na Política, principalmente por todos serem 'governo'.
Será que daqui a algum tempo, quando um bicho nascer, o veterinário vai poder dizer que 51% é macho e 49%, fêmea?
Se esse resultado tivesse dado no jogo do bicho, a situação iria ficar - no mínimo - 'nervosa'.
Mas como o povo não lê mesmo, pouco importa que as manchetes - no mesmo dia - estejam 'confusas'. Aumenta o som aí. Vamos ouvir Vossa Excelência, o deputado. Aquele que começa seu pronunciamento, dizendo: "Ei, abestados e abestadas". Somos nós!
José Neto

25/09/2011

JIRA NA CCJ

Após recentes acontecimentos na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) em Brasília, o - também ausente - ex-presidente da Câmara, ex-metalúrgico e réu do mensalão, João Paulo Cunha (PT-SP), defendeu a sessão do dia 22/09/2011, que superou todas as reuniões de mesa-branca já realizadas no Brasil. Nesta, foram necessários apenas três minutos e algumas palavras de contato com o além, para decidir sobre 118 importantes projetos. O cambono Luiz Couto (PT-PB) proferia palavras para as entidades parlamentares que estavam presentes, não em matéria, mas em energia cósmica. O deputado César Colnago (PSDB-ES), único espectador nesta sessão espírita, ouviu a voz do primeiro-cambono dizer: "Havendo número regimental, declaro aberta a reunião". Depois de 1 minuto, já exausto por tanta transferência de plasma pelo chacra laríngeo e de dinheiro pelo chacra bancário, ele se manifestou novamente, dizendo: "Os deputados que forem pela aprovação, a favor da votação, permaneçam como se encontram". "Permaneçam como se encontram", leia-se: AUSENTES. A partir daí, as velas tremularam, os ventos atravessaram a Câmara como camaleões no deserto e o cheiro forte de enxofre permanecia como se encontrava. Depois de breve concentração, o cambono-falante, mais uma vez, se dirigia ao deputado César Colnago para dizer essas lindas palavras: "Não havendo quem queira discutir, em votação. Está tudo APROVADO! Declaro encerrada a sessão".
O curioso é que para abrir uma sessão na CCJ (C que deveria ser de Constituição, e J de justiça), seriam necessários 31 parlamentares. Lembram quem são eles? São aqueles caras que recebem salários fantásticos e benefícios surreais para não fazer nada! Eles assinam a folhinha e vão continuar o que já estavam fazendo: nada ou alguma coisa muito egoísta, como transferir o dinheiro da Saúde, da Educação e da Segurança para contas - também - fantasmas. Dedução óbvia. Quem é estudante, tem conta universitária. Quem é fantasma, tem de ter conta fantasma.
Para nossa inteira decepção, dentre os que assinaram e foram embora, está o "ex-delegado da PF" Protógenes Queiroz (PCdoB-SP).
Nesses 3 longos minutos de intensa atividade parlamentar inteligente, vários projetos de concessão de radiodifusão, projetos de lei e acordos internacionais foram votados. A cada rodada, o cambono-praxe consultava o plenário, demonstrando admirável clarividência sobre seus coleguinhas de votação.
Apesar da Cristiana Lôbo ainda não ter revelado, há evidências e miasmas de que João Paulo Cunha vai receber dos irmãos espirituais, concessão de radiodifusão, com sede em Uberaba-MG, para distribuir votos e passes energéticos, via satélite. Resta saber quanto vai custar esse mimo astral.
Pelo andar da carruagem, acho que vou comprar um pequeno terreno pra plantar ervas da Jurema. Vejo que ainda vai rolar muito defumador pros filhos de fé. Haja arruda, guiné, benjoim, alecrim e alfazema.
E segue a Jira na capital federal... Ê Ê mizifio!!! HumHum!!!
José Neto

21/05/2011

INVERSA

Você já teve a impressão de que quase tudo está seguindo no sentido contrário ao do seu entendimento? Coisas que deveriam ser inaceitáveis estão se tornando banais e se inserindo em nosso cotidiano.
Os ratos tomam conta da geladeira e servidores públicos aumentam seus proventos.
O dinheiro conduz a vida e as adolescentes alugam seus corpos, achando que estão finalmente vivendo a liberdade. A prostituição funciona como um falso acelerador das possibilidades, glamorizada em livros e filmes. A feminilidade está aniquilada pela promiscuidade. E os relacionamentos se aprisionam entre o látex e o risco.
Os hospitais particulares se transformaram num misto de loja de conveniência e boa opção de investimentos.
Os ladrões dão o veredicto sobre as contravenções e desfrutam de suas imunidades.
Dizem que os vendedores de armas são fundamentais para o 'tal' progresso mundial.
Políticos ou palhaços ocupam os mesmos lugares e atingem os mesmos resultados.
As músicas que cultuam o tráfico e as prostitutas, tomam conta do comportamento das mulheres que agora dançam quase nuas e abaixadas como animais.
Os impostos nunca são o bastante para abastecer as contas numeradas, nos paraísos fiscais. E o controle aumenta apenas para quem não detém o controle.
A fome e as doenças não cessam, enquanto toneladas de alimentos se estragam ao redor do mundo.
Advogados se tornam aliados do crime e as fardas servem apenas como esconderijo para dissimulação.
As faltas vão se acumulando e as vozes se esmaecem no esquecimento conivente.
Se eu fosse dar um novo nome ao planeta Terra, o chamaria de 'INVERSA'.
Para tentar não perder o discernimento, faço minhas manipulações caseiras com histórias de Geoffrey Blainey, mensagens de Yehuda Berg, Cartas freudianas e clarões quânticos de Marcelo Gleiser. Doses diárias, antes de dormir, são amplamente recomendadas.
E pensar que nós somos a causa de toda essa imperfeição devastadora.
José Neto

12/03/2011

METRÔ DE NOVA YORK

Assim que desembarquei em Nova York, fui recebido imediatamente pelo conflito entre as imagens que o mundo recebe sobre aquela cidade e o que realmente ela é.
Minha primeira experiência não foi nada positiva. Era noite e eu estava sozinho naquele sombrio metrô que faz parte das coisas curiosas da identidade local.
Depois de ter recebido as boas-vindas do mal-humorado atendente, passei minha bagagem pela roleta e peguei algumas anotações para me familiarizar com todas as linhas sobrepostas e entrelaçadas daquele transporte.
O local é extremamente sujo e feio. Na madrugada, um dos passatempos prediletos dos novaiorquinos é jogar pedaços de sanduíche nas linhas para que os ratos se exibam e se alimentem. Um nojo!
De repente vejo um grupo de nativos carregando seus colares, medalhões, botinas, bonés, calças folgadas e muita hostilidade nas frases e atitudes.
Para quem espera cordialidade, melhor levar uma pequena pedra pontiaguda para descansar a cabeça. As pessoas são geralmente agressivas e nada receptivas para qualquer situação que não seja de compra e venda.
Quando saí na estação para a qual me dirigia, me deparei com todo o glamour da neve. Vale ressaltar que esse encanto dura no máximo dois ou três dias. A cidade gasta muito para tentar conter a paralisação por conta do gelo que se mistura à sujeira das ruas, resultando numa imundícia generalizada.
Temos de reconhecer: o marketing americano é impressionantemente competente!
Estou pensando em empalhar pequenos camundongos com a inscrição "Lembrança do metrô de Nova York" para vender para o resto do mundo. O que vocês acham?
Apenas para não postar um texto longo para minha curta audiência, darei continuidade sobre a cidade em outra ocasião.
José Neto

05/02/2011

AMTRAK - MONTREAL / NEW YORK

Neste inverno, saindo do Canadá em direção aos EUA, resolvi ir de trem – AMTRAK – para conhecer outras cidades do interior dos dois países.
A neve cobre todo o percurso e preciso acreditar que dois pinguins ficam com óculos providos de infravermelho, na parte superior dianteira da locomotiva, orientando o maquinista. Se o trem não estivesse encarrilado, seria impossível seguir a rota, porque os trilhos simplesmente somem com a grossa camada de gelo.
A paisagem é bonita, porém constante. Todos os lagos estão congelados nessa época e a vegetação não resiste a temperaturas tão baixas quanto as do mês de janeiro, que circundam os trinta graus negativos.
As poltronas são largas e muito confortáveis, parecendo “primeira classe”.
O ambiente é aquecido e oferece janelões para uma viagem - também - visual, ao longo das doze horas entre Montreal e New York City.
Dependendo do seu objetivo, a velocidade do trem pode ser fator positivo ou negativo. Como eu estava sem pressa e com o intuito de conhecer o máximo da geografia e costumes daqueles países, a lentidão do veículo esteve a meu favor. Alguns desavisados reclamaram, pois o trem poderia perfeitamente ser acompanhado por uma lebre bem treinada, bastando apenas que ela tivesse agasalhada com um casaco da marca “The North Face” para não empedrar na linda paisagem lacustre.
Assim que o trem partiu, levantei para ir - rapidamente - ao banheiro. Quando voltei, achei que a companhia havia distribuído notebook, Ipod e Iphone para todos os passageiros, esquecendo de mim. Mas eu também gostaria de desfrutar do meu “Amtrak-Dia-Feliz”. Que nada, as pessoas possuem seus próprios brinquedinhos “high-tech” e os levam a todos os lugares.
Após um tempo de trajeto, entraram três MIB (Mens in Black) portando seus emblemas NYPD (New York Police Department) e eu percebi que estávamos parados ao lado de uma tremulante bandeira dos Estados Unidos, abandonando o território canadense. Quase perguntei se era a diligência do Jack Bauer (24 Horas), porque eles exibiam armas letais e não-letais, modernos transmissores, spray de pimenta, fardamento impecável e frases enérgicas nas portas de todos os compartimentos. De repente, uma mulher negra é convidada a se retirar, porque escondia um bebê no meio de seus pertences, simulando ser parte de sua bagagem de mão... Não gostaria de estar naquela situação.
Em seguida, o trem segue numa bela e agradável viagem pelo interior dos EUA. Perto das 21h desembarcamos, sem maiores problemas, na cidade de New York para novas aventuras que serão contadas em outras oportunidades.
José Neto

03/08/2010

AGRADÁVEL VISITA AO DENTISTA

Primeiro tentei os dentistas associados àqueles planos que são vendidos na rua, como cachorro-quente. As salas são assustadoras. Eram 27 cabines dentro de um único cômodo, onde o grito era amplamente socializado e o atendimento era expresso. Um horror! Parecia algo do tipo McDia In-feliz. A cada 8 minutos uma obturação e a cada 12, um tratamento de canal. Apenas no plano Mega Platinum Extra Class, você recebia o kit especial: uma limpeza – que mais parecia o tridente do capeta nos seus caninos; uma rápida análise – momento que abrem a sua boca como se você fosse uma girafa africana; e, para finalizar, um spray de água de torneira com pasta de dente. Ufa!!!
Aliás, dentista adora falar a palavra 'limpeza'. É um código para dizer que, embora ele não vá fazer nada, você vai deixar um dinheiro para garantir cinema, pizza e pipoca para as crianças - dele e dos vizinhos!
Bom, abandonei essa parte do plano A, de ‘atormentado’ e fui para o plano B, de ‘bem mais caro’.
Liguei para o particular.
Imediatamente consegui um horário, dentro do meu melhor horário, no mesmo dia. Antes de chegar, já ouvia o som da máquina registradora pigarreando à sombra do sarcasmo.
Rapidamente recebo um scanner bucal que reflete todas as radiografias dos meus dentes num LCD colocado em frente à cadeira do paciente. O profissional mandou a secretária pendurar dois jacarezinhos que mordem um papel-toalha, já sinalizando que, SIM, vai doer! Ele analisa, coloca lupa, mexe no jacarezinho, amplia imagem, manda dar contraste nos pré-molares, força a junção da sua mandíbula e, quando menos esperamos, a seringa já está cuspindo a anestesia que vai escorrer até os mínimos compartimentos da sua carteira, adormecendo qualquer tipo de contestação racional.
Aplicou, deu um sorriso pra você e pronto... Já botou o 'tatu a motor' para roer adoidado! 3 minutos depois de o tatu ter trabalhado direitinho no seu siso, ele tira 700g de algodão da sua boca, dá duas tapinhas na sua bochecha e diz: Volta daqui a 30 dias... Pode acertar com a secretária, na saída.
Vale ressaltar que 30 dias é outro código para que você retorne só quando seu próximo salário for creditado, porque o salário deste mês já vai ficar inteirinho com ele.
30 dias depois, ele diz que aquilo tudo foi só um curativo e que vamos ter de partir para extração, já que o dente de siso não serve pra nada mesmo.
Tudo bem, já sei... Acerto com a secretária e volto daqui a 30 dias.
José Neto

13/03/2010

TRAFICANTE OU ILUSIONISTA?

Oitenta policiais fizeram mais uma incursão na Rocinha (comunidade do RJ). Todavia, curiosamente, não conseguiram capturar o atual chefe do tráfico local. Sem falar que a fila para ‘vaga’ de traficante de comunidade, só aumenta.
O primeiro pensamento complacente do brasileiro é sempre o mesmo: ‘Faltam homens na corporação, falta armamento, faltam condições de trabalho etc.’. Contudo, parece que – desta vez – não faltou nada. Nem o diretor Ridley Scott colocaria defeito nesse desfecho cinematográfico. Foi uma fuga digna de superprodução americana - a seco - sem efeitos especiais, contando apenas com a vasta ignorância do contribuinte.
Imaginem a situação e respondam. Se três helicópteros oficiais blindados, tripulados por atiradores de elite - equipados e armados - estivessem sobrevoando a sua casa durante o dia... Você iria conseguir fugir - correndo a pé? Pois é, eu também fiquei com vontade de rir.
Foi mais ou menos assim. O procurado corria desesperado... As tiras de sua sandália iam se soltando... Eram mais de 20 homens armados sobrevoando e apontando rifles de precisão... 80 homens com a mesma missão... Três 'caveirões' para derrubar barricadas e avançar. E ele ainda conseguiu fugir?
A desculpa foi que o traficante se aproveitou da topografia do local.
Será que algum helicóptero tem limitações em relação a acidentes geográficos? Pelo que eu saiba, essas aeronaves são as únicas recomendadas até para resgates em terrenos com inclinação negativa.
A partir de agora, acho que a imprensa deva parar de chamar esse homem, de traficante. Afinal de contas, ele se mostrou um ilusionista de enorme talento. Como dizem: o Brasil é um celeiro de grandes artistas e grandes histórias. Aplaudamos: clap... clap... clap...
José Neto

31/10/2009

SONHEI QUE EU ERA O PRESIDENTE

Sempre achei um enorme desperdício, soldados das Forças Armadas fazendo tarefas que não exigem preparo militar. Eles servem cafezinhos a oficiais, abrem e fecham correntes de estacionamentos, são mordomos nas casas dos generais etc. Será que um militar que se preparou para ingressar nas Forças Armadas está satisfeito em podar arbustos e alimentar animais de madames, enquanto tantas situações aguardam iniciativas qualificadas?
Bem, mas eu era o Presidente e podia tentar modificar algumas coisas.
Imediatamente solicitei reunião com os ministros da Defesa e da Justiça. Pedi que eles convocassem oficiais de alta patente do Exército, Marinha, Aeronáutica, Polícia Federal e BOPE para fazermos uma pequena operação. Aeronaves e veículos entregariam homens equipados e preparados, intelectual e fisicamente, entre 4:30h e 5:00h da manhã, em determinados pontos dos morros e do asfalto do Rio de Janeiro para capturar toda a rede alinhavada pelo tráfico e lavagem de dinheiro, incluindo políticos e magnatas esclarecidos que aguardavam suas fatias majoritárias de lucro, em suas mansões.
Sem qualquer espanto, recebi a notícia de que a Polícia Federal já tinha todos os registros, nomes de parentes, possíveis localizações de fuga, endereços estipulados como plano B, horários de trânsito, tudo rastreado em tempo real, em enormes monitores numa sala da qual já tinha ouvido falar.
Mandei que a Aeronáutica preparasse um cargueiro para ser o transporte de todos os capturados, com a logística necessária para suas novas funções, em novas terras.
Enviei comunicado à Marinha, ordenando – também – a revista de todas as embarcações de luxo que navegassem em águas brasileiras, sem exceção, de quaisquer proprietários, em quaisquer fronteiras. Antes das primeiras movimentações, instaurei um decreto acabando de vez com essa palhaçada, chamada: “Imunidade Parlamentar”.
Em conversa com dirigentes de Estados do Nordeste, delimitamos terreno na região do semi-árido, onde outra força militar levantaria, o mais rápido possível, nova prisão de segurança máxima, com irrigação artificial, abastecida pela abundante energia solar, sem sinal de telefonia celular e com variadas oficinas para todos os itens de necessidades básicas. Partiríamos do plantio e manipulação de frutas e verduras, passando pela confecção de pães e derivados, até o fabrico de movelaria diversa. Os detentos com nível superior ou equivalente, além do trabalho braçal, dariam aulas de ensino fundamental.
Foi uma experiência de sucesso com imediato resultado. Os níveis de violência e impunidade caíram abruptamente, e os jovens passaram a seguir novos e melhores exemplos. Naquele momento começávamos construir nova ética para gerações futuras.
Percebi que, com poucas decisões iniciais, consegui modificar situações internacionalmente vergonhosas.
O Distrito Federal teve de rapidamente abrir concursos para repor grande vazio repentino, enquanto eleições emergenciais se espalhavam por todo o país.
Quando acordei e refleti sobre meu sonho, tive a certeza de que a única coisa que realmente nos falta, chama-se: vontade.
José Neto

22/07/2009

A FAZENDINHA E SEUS CAPATAZES

Após a publicação do jornal "O Estado de São Paulo" e a apresentação nos telejornais, assistimos a mais um episódio que pulveriza qualquer tentativa de crença na suposta moral dos políticos. A neta do "coronel" José Sarney, sem qualquer pudor, ética ou consciência, expõe um pouquinho das vísceras da política brasileira quando - por telefone - consegue mais uma contratação familiar para seu atual namorado.
Estudar, pra quê? Concurso, pra quê? Especializações, pra quê? Moralização, pra quê? Basta ter vovô em Brasília para que mais outra eterna torneira de dinheiro público e benefícios particulares se abra na casa de mamãe, papai, titio, maninho, amigos e até na casa do atual namorado. Será que essa garota vai pedir a vaga Federal de volta depois que o namoro terminar?
Até o Presidente Lula - pai do "Lulinha Telemar" - já confessou, como "nunca antes na história desse país": "todos os senadores são ótimos pizzaiolos". Mas, infelizmente, o povo não tem instrução para fazer nada. Servimos para arrebentar as mãos plantando tomates para que jamais falte molho em todas as pizzas dessa fazendinha chamada: Brasil.
O escárnio é tão grande que até os verdadeiros pizzaiolos ficaram ofendidos por serem comparados aos senadores.
Hoje estou ainda mais envergonhado com a pequenez, mesquinhez, insignificância e nenhuma elevação moral dos políticos para conosco: os otários, assalariados, desempregados, esperançosos e estudiosos brasileiros.
José Neto

04/07/2009

OPERAÇÃO BERNHARD

Quem diria que um grupo de judeus estava entre a ética e a sobrevivência, auxiliando assassinos nazistas, em troca da promessa de suas próprias vidas?
O maior programa de falsificação da história foi nomeado de “Operação Bernhard” (1942 a 1945), em homenagem ao nazi Bernhard Krüger que capturou, em Viena, o mais renomado falsário do mundo – Salomon Sorowitsch (1899-1960) – judeu formado na Academia de Belas Artes de Odessa (Rússia), para ser o grande banqueiro da II Guerra Mundial. A idéia era enfraquecer a economia dos Aliados e aumentar o número de mortes para além dos conhecidos 52 milhões (judeus, polacos, comunistas, dissidentes políticos, católicos, protestantes, homossexuais, negros, eslavos, húngaros, poloneses, ciganos, deficientes físicos, deficientes mentais, prisioneiros de guerra, sindicalistas, pacientes psiquiátricos e demais opositores), subjugados pela S.S.
Já no final do Terceiro Reich, mais precisamente no campo de Sachsenhausen, galpões 18 e 19, os falsificadores imprimiram – com perfeição – cerca de 130 milhões de libras esterlinas para fortalecer os cofres de Hitler e de seus comparsas, obcecados pelo poder. A quantia representava o quádruplo das riquezas estocadas no Banco da Inglaterra.
Nas horas vagas, também falsificavam dólares e passaportes para os ratos fardados que já preparavam suas fugas, planejando uma vida abastada, mesmo depois da aguardada derrota da Alemanha.
Dentre esses judeus falsificadores estava Adolf Burger (foto), preso n°64401, sobrevivente de Auschwitz-Birkenau (sul da Polônia), local onde deixou sua esposa Adele. Burger, ainda vivo, relator do episódio acontecido na “Gaiola de Ouro”, diariamente arriscava a vida do grupo, no intuito de atrapalhar e atrasar a entrega dos dólares falsos, acreditando que esse lapso de tempo poderia modificar toda a situação.
Mais tarde, em 1959, no Lago Toplitz (Áustria), foram encontrados vários engradados recheados com libras, entre tantos outros segredos da II Guerra.
Depois do suicídio de Hitler e de sua esposa Eva Braun (Führerbunker de Berlim - 30 de abril de 1945), Salomon, protegido pelo seu maior talento, frequentou inúmeros cassinos, com identidades variadas e dinheiro à vontade para jogar e se divertir com belas dançarinas. Burger escreveu um livro - "The Devil´s Workshop" - e ainda viaja com suas palestras reveladoras, replicando as marcas definitivas daquele período.
José Neto

27/06/2009

MICHAEL JOSEPH JACKSON

Michael Jackson (1958-2009) foi um daqueles gênios, redundantemente excêntricos, que descobriu algo mais sobre a vida. O quê essas pessoas descobrem para marcar - para sempre - várias gerações?
“Thriller” foi o álbum mais vendido da história, superando todos os grupos e artistas, como: The Beatles, Elvis Presley, James Brown, Rolling Stones, Prince, Mariah Carey, Whitney Houston, Madonna entre tantos outros participantes desses enormes índices de venda.
Não sei se conseguimos entender a amplitude desse efeito, mas o planeta - mesmo que por alguns instantes - sentiu sua perda. Sua partida teve magnitude para dar uma queda de energia, um curto momentâneo na bola terrestre. Não lembro de outro feito para tal.
Não havia como não ser atingido pela doçura da sua voz aliada ao talento de suas performances. Ele agradou a quase todos.
Impossível encontrar um artista tão marcante em minha geração.
Perdemos um talento único, um gênio, um apostador.
Deixou inesgotáveis sucessos, revolucionou todos os segmentos do show business, partiu com uma dívida de 1 bilhão de dólares e sinaliza a comprovação de que existe algo na vida que pouquíssimos têm a possibilidade de descobrir.
José Neto

17/06/2009

DIPLOMA

Cai a obrigatoriedade do diploma de jornalismo para contratação nos meios de comunicação. Para esta votação, apenas o ministro Marco Aurélio Mello (foto/de pé) votou a favor dos jornalistas.
Claro que a formação acadêmica continuará preparando bons profissionais para que aprendam a entender o que realmente está por trás dos acontecimentos e das intenções.
Se os jornalistas revelam coisas indesejáveis, a idéia é desqualificá-los para que as acusações percam força.
Dessa forma, agradam a alguns proprietários que vão poder reduzir salários de novos contratados, além de incentivarem textos vazios, descontextualizados, escritos por celebridades instantâneas.
Precisamos de iniciativa como a do ministro do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, que se dirigiu publicamente ao ministro Gilmar Mendes (foto/sentado) e disse: "Vossa Excelência está destruindo a Justiça deste País. Vossa Excelência está destruindo a credibilidade do Judiciário brasileiro".
Aguardemos manifestações de outros corajosos representantes.
Alguém tem o telefone do Arnaldo Jabor?
José Neto

14/06/2009

MORAL OU ÉTICA?

Estamos acostumados a ler que falta ética no Brasil, mas essa é uma afirmação equivocada. “Ética é a passagem do sentido biológico para o cultural”. É quando optamos por uma doação - qualquer - de sentido, por um modo de ser, por um modo de existir; é quando respondemos à pergunta: Para quê viver? A finalidade que se encontra nessa resposta, representa a ética.
A moral está diretamente ligada ao respeito pelo outro, à necessidade de socialização, de educação para o bom convívio. A moral está presente na resposta à pergunta: Como devo agir?
A ética traz o Bem Viver (não significa viver bem); enquanto a moral deve trazer o Bem Agir. Na vida prática, o Bem Agir, a moral, é aquilo que nos proporciona a Bela Vida (não a vida bela), a alegria e o respeito por si mesmo.
A ética tradicional sempre esteve associada ao plano religioso, até o advento da Peste Negra ou peste bubônica (séc. XIV) transmitida através das pulgas de roedores que viajavam nos porões dos navios de comércio, vindos do oriente (1346-1352), quando um terço da população européia foi exterminada, 75 milhões de pessoas, despertando a consciência realista de que a Igreja nada pode fazer em relação à morte. Pior, ainda condenava a quem tentasse desenvolver a cura, alegando bruxaria.
Apesar de toda contribuição de René Descartes (França 1596-1650) à estruturação do Princípio Científico, somada a outros “esclarecimentos” do Iluminismo (séc. XVIII), quando Immanuel Kant (Alemanha 1724-1804) clamava para que a humanidade começasse a pensar por conta própria, utilizando sua autonomia; ainda hoje, em pleno século XXI, pessoas condicionam suas éticas a um ou outro tipo de religião, crendo que a contribuição, inclusive financeira, atenuará questões irrefutáveis, como a própria morte ou o bem viver.
Para o nosso país, falta moral. Há falta de respeito pelo outro, cometida, inicialmente, pela péssima distribuição de renda e pelo “como agir” consciente e estudado para lesar, impunemente.
José Neto

07/06/2009

ALGUÉM GOSTA DE CRESCER?

Ando com uma saudade imensa da minha infância. A gente cresce e vai percebendo que caminha para um lugar bem diferente daquele que um dia pensáramos escolher.
Só hoje entendo os mais velhos dizendo que seria maravilhoso combinar experiência com juventude. Isso sim, seria um presente da vida. Mas, "quando achamos que sabemos as respostas, alguma Força muda as perguntas". O problema é que essa brincadeira segue por anos e, quando percebemos, tudo está diferente. Vem o espanto com as imposições do dono da vida: o tempo.
Alguns misturam teses freudianas com frases antropológicas, ditos gregos com provérbios budistas, para não aceitar a perda da infância.
Eu gostava de SuperAmigos, Pato Donald, Pantera cor-de-rosa, mas hoje sei que existem mensagens políticas e subjetivas até nos desenhos animados. Caramba, liberem pelo menos os desenhos animados. Mas, não, os políticos precisam de soldados e de dinheiro.
Eu brincava até ouvir a voz da minha mãe chamando pro almoço. Reclamava daquela interrupção maternal. Hoje vejo que ter almoço é praticamente uma bênção para a superpopulação mundial. O chato é que começo a entender que as mensagens nos desenhos, junto com a vontade dos políticos, fazem com que milhões de mães não chamem seus filhos para comer.
Olha no que a gente fica pensando depois que cresce.
José Neto

22/04/2009

SEJAM BEM-VINDOS!

A vida tem sido um jogo de perguntas sem respostas!
Por trás de uma das inúmeras janelas desses edifícios altos, fico tentando digerir meus pontos de interrogação, cumprindo oito horas de trabalho, olhando para o caminhar perdido e desinformado da população.
Por quê algumas pessoas ganham em poucas horas o que outras não conseguem juntar durante uma existência inteira?
O controle dos países ricos há muito que define quem vive e quantos terão seus sonhos abreviados, no terceiro mundo. Quando alguém se aproxima de montar o quebra-cabeça, chega outro e chuta tudo. O segredo é não nos deixar pensar, nem estudar, nem argumentar e, muito menos, mudar. Para o não pensar: o consumo. Para o não estudar: o custo. Sem os estudos, automaticamente, os outros objetivos são atingidos com tranquilidade.
Quem saberia responder o motivo pelo qual o atual presidente empresta nosso dinheiro ao FMI, enquanto tantos brasileiros ainda morrem de sede e fome?
Eu espero que essa pacata audiência entenda o quão vantajoso é o analfabetismo dos infantes e juvenis, para os verdadeiros donos das “bocas”. Algumas perguntas têm respostas, mas não têm explicações. Isso se chama: manipulação.
Será que um analfabeto que anda só de chinelo e calção, sem vocabulário, sem passaporte, sem nome limpo; conseguiria entrar no país com drogas e armas pesadas?
Enquanto a lona do circo – todos os dias – é limpa e iluminada, os brasilienses comentam que as três atividades mais rentáveis da cidade, são: política, restaurantes e prostíbulos. Lá, assim como em todos os locais, os políticos não trabalham; os restaurantes quase não fecham; e os prostíbulos usam a mesma campanha daquele Banco, oferecendo serviços e cardápios, 30 horas por dia. Esse é o Brasil que vale!
Sejam bem-vindos ao Brasil das mulatas (menores de idade que se acumulam nas beiras das estradas), do samba (que alegra as quadras cercadas pelo tráfico), do futebol (que reforça a anestesia do inquietamento ausente) e do carnaval (porque os bicheiros também não são de ferro).
Viva Santa Maria, Pinta e Nina!!!
José Neto

15/03/2009

SEMELHANÇAS

Curioso como alguns personagens tentam manipular, enquanto são manipulados por estratégias que contam com sua própria ignorância.
O jogo é aquele mesmo de “Tom & Jerry”, só que com irreversíveis consequências. Jerry visita a casa do cão de guarda para enviar uma mensagem a Tom que, em seu papel, se mostra publicamente preocupado com a proteção apresentada por seu companheiro. O cão, por sua vez, aceita a situação, porque pretende mostrar que pode afastar a presença do gato, pois essa é sua missão para com os donos da casa. Tom aproveita a encenação de seus inimigos-aliados e alimenta-se, sem pressa, na geladeira daqueles que pagam a ração do cão de guarda, sempre “deixando cair” uma bela fatia de queijo para Jerry.
Caramba! Que desenho legal!!! Acho que finalmente aprendo sobre "semelhanças"!
Dizem que não é bom mudar de assunto dentro do mesmo texto, mas vejo na TV que o presidente Lula visita Barack Obama, e fala dos motores Flex!
O que isso teria de desconhecido se a tecnologia Flex-Fuel foi desenvolvida, no final da década de 80, pela união de esforços dos EUA, Europa e Japão.
"Enquanto isso na sala de justiça"... Dilma ventila que “as trajetórias de Obama e Lula são semelhantes”?
Antes de comentar sobre a ventilada da Dilma, me confundi um pouco com os personagens. Estava falando de Tom, Jerry e o cão. De repente comecei a falar de Lula, Dilma e Obama! Mas, vamos continuar nas semelhanças.
Em linhas gerais, sei que Barack Hussein Obama, nasceu em Honolulu, Havaí, em 1961, formou-se em Direito em Harvard, foi professor em Chicago, Senador por Illinois e Presidente dos EUA.
Lula nasceu em Caetés, PE, frequentou aulas do primário, formou-se no curso de Torneiro Mecânico do SENAI, foi vendedor ambulante e engraxate.
Será que Obama concordaria com essa tal semelhança? Será que está faltando queijo para alguém mais? Será que Marcos Valério parou de distribuir os víveres da nossa geladeira?
Enquanto as viaturas policiais ficam sem combustível, e as crianças continuam sem merenda escolar; recomendo algo além das patacoadas de Tom, Jerry e o cão. Prestemos atenção nas lições geopolíticas mais uma vez oferecidas pelo incomparável Ridley Scott em “Rede de Mentiras”.
Se os desenhos animados de décadas passadas oferecem semelhanças; imaginem o Cinema contemporâneo global!
José Neto

07/03/2009

PAPO DE JORNALISTA

Foca, meu filho. Apura essa barriga, revisa a cabeça, descola uma cápsula e checa a escuta. Presta atenção! Logo depois do meu almoço – hoje não vai dar tempo pra você comer – faz a cozinha daquele gillette-press da manhã, aproveitando o iceberg do dromedário. Olha só! Insere uns gatos, mas toma cuidado com o amarelamento, porque isso aqui não é gesso de sogra. Pode lavar a égua, mas depois passa pro Jujuba copidescar. Segue no coloquial, principalmente no olho. Não esquece de levantar um boxe pra essa nota fria. Fica ligado, porque o pé-de-boi tá doidinho pra te pentear. Esquece a plantação e vê se faz uma retranca que me faça chorar de emoção!
Preciso que o trovão seja forte para haver suíte nos próximos dias. Depois disso, dá os créditos às devidas traças, confere o deadline, condensa e pode descer pro fechamento.
Avisa pra tua mãe que vai ter pescoção na madrugada! A noite hoje é especial: Você vai aguardar uns VIPs lá no IML.
Tá claro, meu filho? Então pára de me olhar como se fosse botar um ovo de avestruz bem aqui na minha sala, e cai fora!
José Neto
(GLOSSÁRIO DISPONÍVEL EM "COMENTÁRIOS")

03/03/2009

SLUMDOG MILLIONAIRE

O filme ganhador de oito cobiçadas estatuetas do Oscar (melhor filme, diretor, roteiro, fotografia, mixagem, edição, trilha sonora original e canção original), “Quem quer ser um milionário” ou "O milionário cão da favela", mostra a ferida exposta e gangrenada da Índia, República Parlamentar composta por 28 Estados e 7 territórios, acolhendo a segunda maior população do planeta: 1,2 bilhão de habitantes. A produção britânica revelou uma significativa parte da tristeza e miséria que se fundiram à vida daqueles sobreviventes da indigência.
No páreo com produções onerosas, o longa-metragem surpreendeu com seu baixo custo (US$15 milhões), alto grau de informação e nenhuma estrela no elenco. As cenas são inacreditáveis! Nada de efeitos absurdos, carros voadores ou personagens de HQ. O roteiro traz a vida dos verdadeiros super-heróis, pessoas que vivem abaixo da linha de pobreza, trabalhando e alimentando-se como animais.
Apesar de a história ter sua relevância, o que mais impressiona são as condições de descaso à vida, contrariando tudo que já lemos ou aprendemos sobre essas questões, desde a Trimurti, passando por Mahatma Gandhi e a Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Os atores mirins, moradores de uma das favelas locais, estão sendo tratados como representantes dessa catarse coletiva. A talentosa atriz Freida Pinto (foto) alivia a tensão dos espectadores com sua rara beleza, enquanto sua personagem (Latika) cria uma mistura de sensações, envolvendo amizade, amor e prostituição.
Trata-se de uma romanceada aula sobre o esgoto dos aplaudidos capitalistas globais que promovem “cães das favelas” (slumdogs) na Índia, facilmente encontrados também na África, na Colômbia, no Brasil e em tantos outros países.
Desliguem os celulares e aproveitem o filme!
José Neto

08/02/2009

CONCURSOS S.A.

Domingo não é mais dia de missa na América Católica desempregada, é o dia dos concursos. Certa vez fui fazer uma dessas provas, mas quando cheguei ao local, não sabia se ali aconteceria de fato uma prova, se estavam distribuindo dinheiro, ou se acabara de suceder nova aparição da Virgem de Fátima em pleno subúrbio do Rio de Janeiro. O tumulto estava instaurado! Três horas antes do horário marcado, quase todos os guardadores de carro da cidade estavam mapeando e precificando as vagas da rua.
O mercado é vasto e negociado aos gritos, antes daquela necessária concentração pré-prova. Os berros anunciam a venda de caneta, lápis, borracha, escova de dente, enxaguatório bucal, absorvente, pingado de café com leite, cachorro-quente, refrigerante, pão na chapa, água, camiseta, marcador de texto, óculos escuros, prancheta, quentinha, sorvete, pilhas e até orações para N. Sra. Desatadora dos Nós. A rua se torna um palanque dos horrores, alinhavado pelo desespero dos crédulos e sofridos brasileiros. Ainda encontramos pessoas lendo Machado de Assis, manuais, estatutos, biografias, atlas, editoriais, apostilas, outras provas anteriores, tudo na esperança de uma última injeção de conhecimentos.
Não podemos esquecer de que existe uma forte carga dramática no local. Garotas se beijam como se nunca mais fossem se encontrar, pais desejam sorte e dizem que a promessa foi feita para que o filho finalmente comece a trazer dinheiro pra casa, namoradas dormem no ombro do parceiro, companheiros se abraçam intensamente, muitos olhares proféticos: uma novela.
Lá dentro, começam os comentários e as cenas de humor. Uns dizem que vão "gabaritar", enquanto outros dizem que vão desmaiar.
A coisa parece organizada. Tem supervisor com detector de metais, supervisor de área, supervisor de sala, supervisor de corredor, supervisor geral, supervisor dos envelopes de prova, supervisor de banheiro... Ufa! Quantos caciques! Ainda bem que nosso grupo de índios era bem grande. Enfim, toca uma cigarra ao estilo antigo, daquelas que anunciavam a hora do recreio, e mais outro supervisor avisa que – agora sim – podemos iniciar a bendita prova.
Quatro horas mais tarde, a maioria está com “cara de paisagem chuvosa”, na frente do prédio, esperando um conforto alheio!
Foi um domingo divertido! O que mais me fez rir, depois de todo esse circo, foi lembrar do salário oferecido para - nós - os indígenas que alimentam essa indústria dos concursos, cuja maior promessa é uma possível dignidade profissional.
José Neto

07/02/2009

ILUSÃO-IDIÓTICA

Para tentarmos compreender um pouquinho do que acontece no mundo, temos de dialogar sobre 'referenciais'. A física, cada vez mais próxima das contextualizações destinadas à religião, tem papel surpreendente e crescente em todos esses assuntos.
É fundamental que percebamos a qual 'referencial' estamos correlacionando nossa vida, escolhas e resultados.
No início de 2009, o bilionário alemão – Adolf Merckle – cometeu suicídio por ter deixado de ganhar alguns milhões de euros numa movimentação feita a partir de ações da VW. Apesar de ser um frequentador assíduo da Revista Forbes, sempre na lista dos mais ricos do mundo, seus negócios contraíram dívidas robustas, motivo que o levou ao túmulo.
Qual era o 'referencial' desse alemão, sabendo que seu patrimônio particular declarado, girava em torno de 10 bilhões de euros (mais de 20 bilhões de reais)? Ter esse valor é o mesmo que acertar mais de 400 vezes no maior prêmio da história da mega-sena: 65 milhões de reais (out/99).
Noutro caso, observava o comentário do ator/produtor de Hollywood - Tom Cruise - quando dizia que não obteve sucesso financeiro com o terceiro filme da série Missão Impossível, pois investiu US$150 milhões e recuperou apenas US$130 milhões, dentro dos EUA. Ele não ficou feliz com o que iria receber, porque, seu cachê era o equivalente a 30% do arrecadado. Vale ressaltar que, no resto do mundo, o filme gerou mais US$260 milhões.
Mais uma vez, entra a célebre questão do 'referencial'.
Enquanto isso, pescadores do Ceará conversavam felizes e recompensados por terem conseguido alguns kilos de pescado para o sustento semanal da família, e para venda no mercado da cidade.
Como a vida é intrigante, não? Reflita em qual referencial estão debruçados os seus objetivos.
Penso que o início do ideal seria transpormos os obstáculos das primeiras necessidades, como: moradia própria, alimentação, saúde, estudos, viagens, lazer, segurança, alguma tranqüilidade financeira etc. No entanto, num país tão desigual como o nosso, fica difícil até para conquistarmos esses pontos básicos à sobrevivência.
Apenas para tentarmos ser um pouco felizes, vamos procurar não cair no que sempre intitulei de 'ilusão-idiótica', representada pelas metas desequilibradas. Desta forma, não cometeremos suicídio com bilhões na conta particular, nem nos tornaremos presas fáceis para o mundo, sorrindo da própria falta de estrutura.
Concluo: Se eu ganhar como o Tom Cruise, ficarei feliz!
Calma! Foi só um comentário jocoso para alegrar a tímida audiência!
Agora, também vou refletir sobre minha 'ilusão-idiótica' e tentar sorrir por ter uma lata de sardinhas, prontinha para o jantar.
José Neto

10/01/2009

LOBÃO OBEDECE AOS "LOBBYNHOS"

O Brasil é um país muito rico, no entanto, o povo não consegue desfrutar disso por causa dos extorsivos impostos e do acúmulo egoísta em determinadas contas particulares. Nossa hidrelétrica de Itaipu, localizada no rio Paraná, bateu recorde mundial ao gerar mais de 94 milhões de megawatts-hora, em 2008. Nem precisava ser Ministro para saber que com os reservatórios das hidrelétricas cheios, sem risco de desabastecimento, poderíamos naturalmente economizar com a diminuição do gás comprado da Bolívia, já que o contrato permite. Sendo assim, o excelentíssimo ministro de Minas e Energia, na manhã do dia 09 de janeiro, anunciou que nosso país pouparia US$600 milhões de dólares com sua decisão pela redução na compra totalmente desnecessária de gás. E que em maio, talvez, voltássemos a pagar o pacote integral do gás boliviano.
Sem tardar na proteção de sua Bandeira, Evo Morales, Presidente da Bolívia, enviou três ministros para “conversar” com Edison Lobão. Para nosso espanto e decepção, na tarde do mesmo dia 09 de janeiro, Lobão acata os Lobbynhos bolivianos e diz que o Brasil vai, sim, continuar desperdiçando os milhões de dólares. Quando questionado pela mudança repentina, em detrimento do anúncio anterior e da reunião feita com o CMSE (Conselho de Monitoramento do Setor Energético), alegou sabiamente que: "de manhã é de manhã e de tarde é de tarde". Essa é uma resposta ministerial para ser aplaudida de pé! Digna de ser eternizada num azulejo maranhense de sua cidade natal: Mirador. Tornaria-se um evento quase rupestre!
Mas, afinal de contas, seriam apenas US$600 milhões de dólares, uma bobagem para uma nação tão desenvolvida, sem fome, sem analfabetismo, sem corrupção, sem problemas com a saúde, saneamento etc. Até esqueci do lépido recuo e fui pesquisar sobre outros assuntos que nada têm a ver com gás boliviano. Fiquei um pouco mais informado a respeito dos lobos e coiotes, esses mamíferos canídeos que despertam tanta curiosidade em seus movimentos, além de possuírem diferentes nomes, como: Canis familiaris e Canis ladrans. Que curioso, não? Gostei demais desses nomes científicos: familiaris e ladrans! Adoro nomes científicos! Odeio pequenas cifras!
José Neto

09/01/2009

PATOS DE BORRACHA

Quando eu era criança, achava que “patologia” era aquela brincadeira em que pessoas atiram em patos de borracha até acertar um deles. Hoje, percebo que não estava tão errado, depois de ouvir os especialistas e aprender sobre os males aos quais estamos expostos por causa das constantes situações da vida capitalista. Patologia é o ramo da medicina que se ocupa da natureza e das modificações estruturais e/ou funcionais produzidas por doença no organismo. Logo, se o pato de borracha – cada um de nós – sai da linha de avanço, imediatamente tem sua estrutura modificada por influências externas, ou é derrubado com um belo e certeiro tiro. Significa que o pato pode ir ao chão a qualquer momento! Claro, alguém ganha com isso. Nem que seja o dono da fábrica de bichos de pelúcia de Jacarta.
Os médicos alertam sobre o alastramento da fobia financeira e seu enorme grupo de sintomas, como: gastrite, tontura, suor, hipertensão, pânico, tremores, insônia, falta de apetite, dores etc. Já é uma das principais patologias da atualidade. O problema é que o único remédio para sua cura é o dinheiro! Temos aqui mais uma relação direta com o aumento da violência. Como resolver isso? As pessoas que ainda podem contar com algum equilíbrio tentam estudar mais e arriscar algumas moedas nas lotéricas. Mas, e aqueles que já perderam a tal linha de avanço? Aguardam seus fins como se fossem simples patos de borracha. Aguardam o tiro silencioso da modernidade patológica.
Ainda bem que ainda encontro algumas moedas aqui pelo chão. Mas, tá calor hoje ou eu é que estou suando muito? Ando um pouco tonto, acho que devo ter comido alguma coisa estragada. Deixa pra lá, preciso ir à lotérica enquanto estou de férias dos estudos.
José Neto

22/12/2008

TREINAMENTO TÁTICO

Vamos sorrir um pouco, já que o filósofo alemão Nietzsche (1844-1900) nos ensinou a fazê-lo, principalmente, na tragédia. Nesta semana, sabendo que o ator Silvester Stallone visitava o Rio de Janeiro, pensei até que estava participando de uma cena para seu novo filme de ação. Passando com minha moto por uma avenida vigiada por câmeras, radares e policiais – avistei um servidor fardado, com sua proeminente e característica barriga sedentária, já com seu revólver em punho – o que é proibido por lei – usando sua arma para indicar o acostamento para os veículos de duas rodas. Antes de os motociclistas pararem, ele iniciava seu momento de autoridade policial e, com voz gutural, dizia: desembarque do veículo, levante a blusa, dê uma volta em torno do corpo e mantenha as mãos para cima! Caramba! Eu pensei: será uma coreografia para as câmeras da CET-Rio? Será ele um antigo integrante do Village People? Será que o Stallone vai editar imagens com baixa resolução? Ou será um ensaio para o novo filme concorrente ao 'Urso de Ouro'? Imediatamente lembrei de Nietzsche e continuei observando a cena. Pararam algumas motos, todas com placa no lugar, condutores com capacete, lâmpadas funcionando, documentação regular e tudo certo! Pensei: Por que eles não fazem esse 'tipo' – de atuação – nos locais onde todos sabem que existem centenas de veículos roubados? Nem seria necessário se distanciar tanto das avenidas mais iluminadas. Concordo que eles precisem, de alguma forma, justificar seus salários, já que o 'pague e pesque' não está rendendo tantas carpas africanas para a imprensa, mas gostaria que eles também exercessem essa 'potência' em áreas de menor vigilância.
Quando ele disse “levante a blusa”, recordei das milhares de cenas registradas, à luz do dia, com membros do tráfico exibindo, sem timidez, seus fuzis russos AK-47, escopetas calibre 12, pistolas austríacas Glock, submetralhadoras israelenses Uzi, metralhadoras Cetme de 21 disparos por segundo, Snipers suíços, lançadores antiaéreos, granadas etc. etc. etc. Por que não prendem sumariamente esses top models do segmento bélico que desfilam nas passarelas dos morros e comunidades? Segundo a lei que contaram para os dedicados pagadores de impostos, quem for flagrado com arma sem registro, será preso em regime fechado, com pena de 2 a 6 anos, sem fiança, com pagamento de multa. Porém, pode ser que o armamento ostentado – nos pontos de venda de drogas – esteja perfeitamente registrado e, talvez, eu esteja enganado! Para quem, então, seria essa lei? Apesar de não ser secretário de Segurança Pública, posso nitidamente perceber que a abordagem de alguns policiais está muito bem ensaiada, embora, geograficamente equivocada, assim como, negligentes estão seus preparos físico, cultural e psicológico.
Espera aí! Parece que mais uma velhinha de 83 anos vai apresentar – com exclusividade – sua tática secreta para ter conseguido filmar um lampejo de 33 horas de imagens do tráfico, no Fantástico. O ator Silvester Stallone vai assistir a tudo, diretamente dos estúdios, para aprender mais sobre a técnica utilizada na iluminação noturna, nos ângulos astutos e, principalmente, conhecer detalhes sobre os sofisticados equipamentos adquiridos em 36 suaves prestações das Casas Bahia!
José Neto

16/12/2008

O DESABROCHAR DE UMA TORRE

120 anos após sua inauguração, no dia 31 de março de 1889, a torre mais visitada do mundo vai sofrer modificações. Construída por Gustave Eiffel (1832-1923) para comemoração do centenário da Revolução Francesa, o monumento recebe atualmente 7 milhões de turistas por ano e já foi comparada à Pirâmide de Quéops, no Egito. Entretanto, seu glamour que faz parte da identidade da cidade Luz, retribui elegância aos apaixonados visitantes, despreocupado com tais especulações. Localizada no Campo de Marte na capital francesa, hoje, está longe da disputa nervosa entre as mais altas edificações do mundo moderno, liderada pelo Burj Dubai e seus incompletos 700 metros de altura. Em 1930 já fora desbancada pelo prédio da Chrysler, de Nova York.
Além do atrativo natural criado pelos filmes, a dama de aço ainda divide com a cidade de Paris, convites cheios de promessas e inesquecíveis lembranças.
A Torre tem 321m de altura e 1652 degraus. Seu peso aproximado é de 10 mil toneladas. O intrigante é que foi feita em blocos para que pudesse ser desconstruída logo após a comemoração. Contudo, seus benefícios meteorológicos, aerodinâmicos e estéticos a tornaram um dos maiores símbolos da Europa.
Em 2009, sua terceira e mais alta plataforma panorâmica, finalmente vai receber pétalas de aço, como se a imagem desabrochasse no céu, aumentando a área de acesso ao público de 280 para 580 metros quadrados. A torre possui três andares. O primeiro a 57 metros do solo, suporta a presença de 3.000 pessoas ao mesmo tempo. O segundo andar fica a 115 metros do solo, suportando mais 1.600 pessoas, enquanto seu terceiro andar, a 276 metros acima do solo, que atualmente suporta 400 pessoas, deverá suportar mil pessoas ao mesmo tempo, após sua reforma.
Dizem que o passeio à Torre oferece uma culinária exemplar nos restaurantes localizados em seu interior, vistas espetaculares em diferenciados níveis, muitas lojas de griffe, vinhos que estão entre os melhores do mundo, além de outras possibilidades que envolvem o momento. Obviamente, quem for conferir tudo isso deve preparar-se para despender uma generosa quantia em Euros, moeda que vale mais do que o triplo da nossa. Não havendo problemas quanto a isso, bon voyage!
José Neto

13/12/2008

JOSEPH LEVITCH OU JEROME

Tudo o que for escrito a respeito desse artista, será inconsistente, pois, estamos à espera da desejada autobiografia encomendada em 1996, ainda não concluída.
Ele nasceu em Newark, no dia 16 de março de 1926, New Jersey, EUA. Entretanto, há controvérsia quanto a seu nome de registro ser Joseph ou Jerome.
Extraordinário escritor, ator, comediante, cantor, diretor, produtor, com uma história marcante, também voltada para causas beneficentes. Em apenas uma única aparição, ainda consegue arrecadar quase 70 milhões de dólares para a Associação de Distrofia Muscular dos Estados Unidos.
Descendente de judeus ortodoxos, estreou aos 5 anos de idade interagindo em skets com seu pai comediante e sua mãe pianista.
Um dos maiores nomes de todos os tempos que, merecidamente, faz parte da seleta lista dos dez melhores artistas de Hollywood, ao lado de Walt Disney. Muitos tentam provocar comparações, ensaiam suas sacadas geniais, mas estão distantes desse talento eternizado.
As pessoas choravam e riam num mesmo filme. Hoje, apenas comem pipocas, mordem bananas cristalizadas e tomam refrigerantes, assistindo aos atuais candidatos a comediantes, como Jim Carrey e tantos outros purgantes.
Em 1946, conheceu Dino Crocetti, ex-boxeador, ex-frentista, ex-crupiê que queria ser cantor e mais tarde se transformara no lendário galã Dean Martin (1917-1995). A partir de então, surgiu a dupla mais rentável do show business americano, com 16 filmes e muitas trapalhadas maravilhosas. A parceria terminou oficialmente em julho de 1956, na boate Copacabana, em Nova York. Depois de anos de separação, fato envolto em inúmeras interpretações, um amigo em comum – Frank Sinatra (1915-1998) – teve a iniciativa de promover o reencontro durante um show de TV. Foi quando, totalmente surpreso e sem saber o que dizer, superou anos de ressentimento com um largo sorriso e a frase: “Oi, Dean. Você está trabalhando?”
Há rumores de que ele receberá um prêmio no Kodak Theather, na entrega do Oscar 2009, em Los Angeles. Seria ótimo, pois, ele sempre foi muito mais celebrado pela França do que pelo seu próprio país.
Foram mais de 60 filmes, programas de TV e importantes títulos, como o “Leão de Ouro” do Festival de Veneza em 1999, sem esquecer da indicação ao Nobel da Paz, pelos mais de 50 anos que angaria fundos para causas beneficentes.
Ele já foi contador de piadas em Atlantic City, professor de Steven Spielberg e George Lucas na Universidade de Cinema da Califórnia, deu nome a 750 salas de projeção, chegou a ter 24 carros e 88 smokings diferentes ao mesmo tempo. Casou-se duas vezes, tem 5 filhos biológicos e outros adotados, além de muitas histórias que ainda estão para ser reveladas.
Um de seus maiores sucessos foi o filme "O Professor Aloprado", de 1963, refilmado em 1996 com Eddie Murphy, e atual projeto para os refletores da Broadway.
Quanto ao quesito saúde, não esteve com muita sorte. Ainda nos anos 70, durante a filmagem de “Dupla em Sinuca”, ele caiu de uma grua e fraturou a coluna, trazendo conseqüências definitivas para sua carreira e muitos efeitos colaterais, incluindo depressão e obesidade.
Em 1980, morre seu pai e sua primeira esposa Patty Palmer entra com uma ação de divórcio, depois de 36 anos de casados. Em 1981, voltou a filmar “Um Trapalhão Mandando Brasa”, mas no dia da estréia sofreu um ataque cardíaco e recebeu três pontes de safena. Recuperou-se com os cuidados daquela que seria sua futura esposa, a bailarina de Vegas, Sandra Pitnick.
Em 1983 dividiu o set com Robert De Niro em “O Rei da Comédia”, entretanto, por questões políticas, não tivemos o privilégio de conferir essa produção realizada em terras francesas.
Entre 1987 e 1990, imprimiu sua brilhante e pouco explorada carga dramática no seriado americano Wiseguy, conhecido no Brasil com o título de “O Homem da Máfia”.
Em 1992 descobriu um câncer de próstata antes de quase morrer de meningite em 1999. Infelizmente, suas maiores batalhas são contra o implacável tempo. Atualmente, ele sofre com dores crônicas nas costas, diabetes, uma fibrose pulmonar descoberta em 2001 e problemas causados pelas altas doses de esteróides.
Contudo, não quero terminar minhas palavras com a parte triste da vida desse ídolo planetário que tantas vezes iluminou minha “Sessão da Tarde”. Sua arte e comicidade fazem emergir sentimentos quase extintos. Ele conseguia espelhar a pureza do espectador que, por sua vez, identificado, torcia muito para que sua personagem conseguisse um final feliz.
Sinto por não ter tido a raríssima oportunidade de conviver com ele, nem mesmo ter condições financeiras para assistir a shows em hotéis e cassinos de Las Vegas, presente habitat, enquanto showman. Mas, se a empatia de um admirador puder relembrar – por merecimento – o nome de alguém que ainda alegra a humanidade, desde o pós-guerra, sem dúvida estarei pronto para registrar muitas páginas com lembranças do inesquecível Jerry Lewis.
José Neto

10/12/2008

ROMANÉE-CONTI

Vamos entender um pouco sobre esse vinho que, antes de tudo, é um símbolo de status e diferenciação.
O nome vem do vinhedo francês, localizado na região da Borgonha, comprado em 1760, pelo príncipe Louis François de Bourbon-Conti.
Segundo os enólogos, trata-se de uma bebida muito especial que, além de decolar o prestígio de raríssimas degustações, também movimenta índices na Bolsa Internacional de Valores, números fomentados pelo americano Robert Parker que cuida das recomendações do setor, através do seu “programa dos cem pontos”. Apesar de todo frisson em torno das limitadas 5.500 garrafas anuais, escassez que também serve de alavanca para fama, Aubert de Villaine, responsável pela vinícola, desaprova os preços exorbitantes.
Romanée-Conti possui a máxima certificação francesa que o classifica como um Grand Cru, garantindo sua origem controlada. Para se conseguir uma única garrafa a partir da fonte, é preciso comprar a caixa com 12 excelentes rótulos em que, apenas um, trará a procurada assinatura. A uva que produz esse objeto do desejo é do tipo pinot noir, plantada em Vosne-Romanée na Côte de Nuits, proveniente de um autêntico terroir, pequeno solo personificado pela natureza, contendo características específicas, como temperatura, inclinação e drenagem perfeitas para tal plantio. A colheita é tardia, absolutamente manual, transportada em caixas que não passam da altura de um único cacho para que nenhuma uva fique amassada. Sua finalização requer um mês de fermentação e mais 18 meses para o mínimo envelhecimento. Contudo, rezam as páginas invisíveis do terceiro livro de Baco, que só a partir dos 18 anos as garrafas atingem maturidade para serem celebradas, como se fossem belas ninfas mitológicas do imaginário grego.
O que eu acho mais engraçado são os termos declamados durante a apreciação de rótulos desconhecidos. Dentre tantos, dizem que o vinho oferece toques de menta, promove o aveludamento da língua, evoca chocolate, traz a complexidade, exala carvalho, presença de sais de ferro, frutas vermelhas, nuances de sedução, tanino mordente, status terral, paladar mineral etc. etc. etc. Caramba! Haja paladar animal, vegetal e até mineral!
Para quem não entende o porquê das cifras aumentarem a mítica em torno desse vinho, deixo um pequeno exemplo para pensarmos sobre o assunto, pelo menos, por alguns minutos. Pasmem, porém, uma única garrafa da safra de 1985, chegou a ser vendida por 23 mil euros – mais de 70 mil reais –, em Nova York. Mas, como seus apreciadores não ficam lambendo moedas, o comprador aproveitou para levar 6 garrafas de uma vez, já que o preço estava bom! Como assim, bom?
Aqui no Brasil, poucas pessoas têm acesso ao néctar de Bourgogne. Dois nomes lembrados pelo próprio Aubert de Villaine, durante entrevista à VEJA, foram, Paulo Maluf, seguido da pergunta: “Ele está preso, não?”, e o nome do connaisseur de Caetés, presidente Lula, diligente consumidor. Quem diria! Das cabaças de Garanhuns para abundantes rolhas de Romanée-Conti que, em jantares brasilienses, acompanhadas de um bom lagostim, fazem o felizardo "pagar" 12 mil reais por cada taça. Um brinde ao presidente! Um brinde à França! Um brinde a Caetés!
José Neto

09/12/2008

CAUSA E EFEITO

As empresas estão jogando as pessoas nas ruas, literalmente. Para proteger o capital e diminuir a folha de pagamentos vale tudo. São pais de família, mães solteiras, cidadãos esperançosos que agora têm seus projetos abortados como filhos que nem deveriam ter tido o direito de nascer. Contudo, certamente, trarão um resultado prático para o cotidiano de cada cidade, no mundo.
De repente, ao caminhar pelas calçadas, temos a sensação de que o espaço está menor, de que o barulho aumentou. Parece que mais pessoas estão gritando, tentando vender qualquer coisa, desesperadamente. O pior é que não se trata de uma sensação, é a triste realidade.
Será que o Estado terá força policial suficiente para reprimir o número de ambulantes? Acredito que já estejam providenciando mais cassetetes, munição e microônibus com grades nas janelas. Tudo bem, eles dizem! Quanto aos vendedores de rua, dá até pra “trocar uma idéia”. Mas, e quanto àqueles que se sentem punidos pela longa injustiça da péssima distribuição de renda? Enquanto alguns casais combinam fazer salgadinhos para vender, outros vizinhos organizam coisas mais indigestas, como assalto a Banco, venda de drogas, invasão de prédios em bairros nobres, explosão de delegacias, aquisição de pistolas semi-automáticas "ponto 40" que oferecem, por vez, 12 letais “empadinhas de pólvora”, entre outros “redirecionamentos para o capital existente”. Que frase bonita, não? Típica de um bom sofista da contemporaneidade! Bonita, porém, desgastada diariamente nos meios de comunicação de massa. A questão é que os criminosos estão aprendendo essas frases repletas de sentido figurado, e tentam recuperar o sentido prático de cada uma delas.
Sem querer ampliar o infinito debate filosófico já existente, pergunto: Será que a maioria dos criminosos não gostaria de poder colocar a comida no prato de seus familiares, pagar em dia o colégio das crianças, entrar e sair de casa com a cabeça erguida pela dignidade, não viver acuado pelas sirenes urbanas, entre tantas outras coisas legais, nos dois sentidos?
Será que ninguém quer perceber o estridente apito dessa enorme panela de pressão que acaba de passar para o fogo alto?
O fato é que não sabemos mais quem está vendendo o quê, por qual motivo, com qual finalidade. Sabemos que, mais uma vez, vidas estão nessa roleta-russa do descontrole que tem como causa, o capitalismo. O problema é que ninguém está mensurando o que ele trará como efeito!
José Neto

04/12/2008

“CEBOLINHA” DECLARA EXZPANSXÃO

As cicatrizes abertas no inesquecível dia 11 de setembro de 2001, seguem com a crise da vingança, encharcando o solo afegão com sangue, abrindo os cofres empoeirados da aristocracia. Bush, como recompensa desafiadora, leva para seu descanso pós-governo um mimo frasal de Ayman Al Zawahri (pupilo de Osama) “mande todo o exército para o Paquistão, que eu o mandarei para o inferno”. Contudo, talvez não seja possível agora, pois o dinheiro está sendo usado para resgatar os altos capitalistas e seus tridentes de ouro. Mas, essa brincadeira de quem pode mais acaba invadindo outros quintais. As Bolsas de Valores ao redor do mundo – de out/2007 a nov/2008 – já perderam mais de US$30 trilhões de dólares.
Quanto ao Brasil, dizem que uma opinião mais esclarecida, a respeito do nosso quixotesco presidente Lula, está nas páginas do jornal francês Le Monde. Ainda bem que ele não o saberia ler. Para aumentar a bola de fumaça ninja, o Ministro da Fazenda, Guido Mantega, mais conhecido como “Cebolinha”, anuncia nítida expansão. Claro! Ele só não disse expansão de quê! Será que ele imagina o que seria sustentar uma família com R$415 reais por mês? Tá difícil conter a tal “marolinha”, sem falar no desemprego e no avanço da barbárie que antes era um privilégio apenas urbano.
Dizem que mentira boa é a mentira confirmada! Durante décadas, as principais instituições mundiais, aliadas aos artistas internacionais, às ONGs, aos fotógrafos com imagens da miséria humana etc., clamam por uma quantia de US$30 bilhões anuais para erradicar - do planeta - a morte por desnutrição. Entretanto, esse dinheiro nunca apareceu para poupar a vida de cerca de 1 bilhão de pessoas que passam fome, segundo o senegalês diretor-geral da FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação), Jacques Diouf. Mas, de uma hora pra outra, só a Europa injetou mais de US$2 trilhões de dólares, com mais US$1 trilhão que chegou dos EUA, surpresinhas que obtiveram resultados efêmeros e anódinos. Como nem tudo são palavras e demagogia, ainda bem que veio uma ajuda substancial do representante dos preocupados membros do Vaticano. Acabamos de receber mais uma mensagem enviada especialmente pelo querido Papa Bento XVI. É compreensível que a Igreja Católica não envie ajuda financeira para a fome mundial, pois, afinal de contas, é uma Instituição muito pobrezinha. Vamos aproveitar e dar um obrigado ao Papa! Obrigado, Papa! Um obrigado ao Bush! Obrigado, Bush! Um obrigado ao Lula! Obrigado, Lula! E mais um obrigado ao Cebolinha! Obrigado, Cebolinha!
José Neto

02/12/2008

1962 - SILÊNCIO EM BRENTWOOD

Tudo com o que as mulheres sonham, e o que os homens pensam que gostariam de ter, esteve presente em uma das vidas mais tristes do século XX. Tinha um nome comum, Norma Jean Baker, e ainda é a loira mais famosa de todos os tempos, embora fosse morena, com apenas 1,67m de altura. Nasceu em Los Angeles, Califórnia, e teve sua infância entre orfanatos e lares adotivos. A maneira que encontrou para escapar das necessidades foi seu primeiro casamento com apenas 16 anos de idade. Logo em seguida, seus laços afetivos fizeram com que Hollywood a recebesse com um felpudo tapete encarnado rumo à carreira internacional posteriormente merecida. A pureza no olhar parecia não entender o quanto mexia com o imaginário masculino. Fez fortuna, gostava de diamantes, homens e champagne. Contudo, não conseguia espantar a tristeza permanente. Trocou de nome, cor dos cabelos, várias vezes de parceiro, fez plástica no nariz, mas o pedido de socorro não abandonava seu semblante. Suas relações pessoais transitaram pelos corredores da política internacional, pelos refletores do cinema, pelos hangares da CIA, pelas lentes dos fotógrafos, pelos olhares ávidos dos espectadores, até iniciar um triângulo perigoso entre um dos representantes da máfia – Sam Giancana – e o 35˚ presidente dos EUA, John Fitzgerald Kennedy, assassinado em novembro de 1963, um ano depois da morte de sua mais popular e cobiçada amante.
Seu nome ficou gravado na história como Marilyn Monroe (1926-1962) que depois de vários filmes, capas da Playboy, prêmios importantes, péssimos investimentos, publicações intrigadas e romances, foi encontrada nua e morta, em sua casa de Brentwood, supostamente por causa de volumosa ingestão de calmantes. Curiosidades à parte, alguns objetos que poderiam jogar um pouco de luz no caso, simplesmente desapareceram.
Para ficarmos com a parte boa da história, Marilyn foi a própria bandeira do glamour, da feminilidade, da beleza que será eternamente lembrada, tanto nos palácios que ressoam a canção-homenagem feita por Elton John (Candle in the wind), quanto pelos golpes de ar que saem dos buracos imundos do terceiro mundo.
José Neto

26/11/2008

VONTADE DE SER ARTISTA

Ele pintava aquarelas, era um exagerado comprador de obras de arte e queria ser arquiteto. Convivia com "poetas", foi recusado pela Academia de Artes de Viena e tinha o desejo de escrever óperas.
Seu maior admirado era Wagner, com o qual se comoveu ao assistir à “Rienzi”, ponto inicial para o projeto de se tornar "porta-voz" do povo. O arquiteto interrompido, de próprio punho, criou uma efígie, uniformes, bandeiras, estandartes; e sua carreira já o colocara como protagonista do poder instituído pela chancelaria do país onde fez história. Com sua forma absolutista de pensar, decretou em 30 de janeiro de 1933, que toda arte que não servisse a seus propósitos políticos ou ideológicos, seria classificada como depravação intelectual ou “arte degenerada”.
Logo chegaram as intencionais comparações com os ideais da beleza grega e a proposta de “higienização”, baseada na hereditariedade. Com isso, ele elaborou projeto para exterminar e confiscar os bens de 11 milhões de judeus.
Sua outra façanha artística foi explorar a onipresença oferecida pelo Cinema. Passou a exibir, a partir de 1937, um filme criado por membros do partido nacional socialista e, obviamente, pelos médicos que engendravam novas proporções para a morte.
Seu inflado ego, em setembro de 1939, ordenou ataque bélico à Polônia dando início à Segunda Guerra Mundial, quando seus seguidores declaravam que a maior terapia eram os assassinatos livres e ininterruptos.
No dia 23 de junho de 1940, ele visita uma Paris exaurida por combate, e percorre, logo cedo, às 6h da manhã, renomados pontos turísticos, pensando se iria destruí-la ou não. Entretanto, resolveu fazer novos projetos para a capital francesa.
Apesar de toda violência da guerra, enviou artistas para o “front” para retratarem a poesia que havia na destruição. Não satisfeito, oferecia recompensas a especialistas que pudessem “profissionalizar” os fornos que baforavam o famigerado Zyclon B – monóxido de carbono –, evitando assim, o desperdício de munição com os “inferiores”.
Suas visionárias deturpações seguiam velozes com os apoios de Japão e Itália, quando formaram o "Eixo". Dentre tantas, determinou a destruição de Moscou que seria reduzida a uma represa. Quando já se sentia dominador do planeta, no final de 1941, os EUA entraram na guerra; em 42, os "Aliados" (China, França, Grã-Bretanha, URSS e EUA) despejaram milhares de bombas inglesas na cidade de Colônia; em 43 já eram 90 mil prisioneiros alemães, e seu projeto estava em via de ser arruinado.
Em 30 de abril, refugiado a mais de 3 meses num bunker, o bastardo austríaco Adolf Hitler (1889-1945), despediu-se dos poucos que o acompanharam até lá, e, logo depois do almoço, às 15h30min, trancou-se em seus aposentos, assim como fez sua recente esposa Eva Braun. Enquanto as pessoas dançavam e ouviam música, chegara o estampido do tiro craniano que silenciou uma das mais monstruosas personalidades da Alemanha. Após o suicídio, os soldados ainda seguindo suas ordens, incineraram os corpos - com 180 litros de combustível - para que não fossem encontrados e expostos como troféus de guerra.
O relevante para nossa pacífica atualidade é refletirmos a respeito daqueles que se dizem benfeitores do povo, sensíveis às questões da coletividade, defensores de causas que dependem do aval de cada um de nós.
Naquela época, foi um cabo do exército austríaco que obteve poder e conseguiu apoio para o absurdo que inclui 6 milhões de vidas judaicas. Quais seriam os manipuladores desta geração?
Os salvadores sempre contarão com nossa omissão, com nosso voto, com nossa alienação, com nosso não pensar. Agora, imaginem se Hitler não tivesse vontade de ser artista!
José Neto