SONHEI QUE EU ERA O PRESIDENTE

Sempre achei um enorme desperdício, soldados das Forças Armadas fazendo tarefas que não exigem preparo militar. Eles servem cafezinhos a oficiais, abrem e fecham correntes de estacionamentos, são mordomos nas casas dos generais etc. Será que um militar que se preparou para ingressar nas Forças Armadas está satisfeito em podar arbustos e alimentar animais de madames, enquanto tantas situações aguardam iniciativas qualificadas?
Bem, mas eu era o Presidente e podia tentar modificar algumas coisas.
Imediatamente solicitei reunião com os ministros da Defesa e da Justiça. Pedi que eles convocassem oficiais de alta patente do Exército, Marinha, Aeronáutica, Polícia Federal e BOPE para fazermos uma pequena operação. Aeronaves e veículos entregariam homens equipados e preparados, intelectual e fisicamente, entre 4:30h e 5:00h da manhã, em determinados pontos dos morros e do asfalto do Rio de Janeiro para capturar toda a rede alinhavada pelo tráfico e lavagem de dinheiro, incluindo políticos e magnatas esclarecidos que aguardavam suas fatias majoritárias de lucro, em suas mansões.
Sem qualquer espanto, recebi a notícia de que a Polícia Federal já tinha todos os registros, nomes de parentes, possíveis localizações de fuga, endereços estipulados como plano B, horários de trânsito, tudo rastreado em tempo real, em enormes monitores numa sala da qual já tinha ouvido falar.
Mandei que a Aeronáutica preparasse um cargueiro para ser o transporte de todos os capturados, com a logística necessária para suas novas funções, em novas terras.
Enviei comunicado à Marinha, ordenando – também – a revista de todas as embarcações de luxo que navegassem em águas brasileiras, sem exceção, de quaisquer proprietários, em quaisquer fronteiras. Antes das primeiras movimentações, instaurei um decreto acabando de vez com essa palhaçada, chamada: “Imunidade Parlamentar”.
Em conversa com dirigentes de Estados do Nordeste, delimitamos terreno na região do semi-árido, onde outra força militar levantaria, o mais rápido possível, nova prisão de segurança máxima, com irrigação artificial, abastecida pela abundante energia solar, sem sinal de telefonia celular e com variadas oficinas para todos os itens de necessidades básicas. Partiríamos do plantio e manipulação de frutas e verduras, passando pela confecção de pães e derivados, até o fabrico de movelaria diversa. Os detentos com nível superior ou equivalente, além do trabalho braçal, dariam aulas de ensino fundamental.
Foi uma experiência de sucesso com imediato resultado. Os níveis de violência e impunidade caíram abruptamente, e os jovens passaram a seguir novos e melhores exemplos. Naquele momento começávamos construir nova ética para gerações futuras.
Percebi que, com poucas decisões iniciais, consegui modificar situações internacionalmente vergonhosas.
O Distrito Federal teve de rapidamente abrir concursos para repor grande vazio repentino, enquanto eleições emergenciais se espalhavam por todo o país.
Quando acordei e refleti sobre meu sonho, tive a certeza de que a única coisa que realmente nos falta, chama-se: vontade.
José Neto

A FAZENDINHA E SEUS CAPATAZES

Após a publicação do jornal "O Estado de São Paulo" e a apresentação nos telejornais, assistimos a mais um episódio que pulveriza qualquer tentativa de crença na suposta moral dos políticos. A neta do "coronel" José Sarney, sem qualquer pudor, ética ou consciência, expõe um pouquinho das vísceras da política brasileira quando - por telefone - consegue mais uma contratação familiar para seu atual namorado.
Estudar, pra quê? Concurso, pra quê? Especializações, pra quê? Moralização, pra quê? Basta ter vovô em Brasília para que mais outra eterna torneira de dinheiro público e benefícios particulares se abra na casa de mamãe, papai, titio, maninho, amigos e até na casa do atual namorado. Será que essa garota vai pedir a vaga Federal de volta depois que o namoro terminar?
Até o Presidente Lula - pai do "Lulinha Telemar" - já confessou, como "nunca antes na história desse país": "todos os senadores são ótimos pizzaiolos". Mas, infelizmente, o povo não tem instrução para fazer nada. Servimos para arrebentar as mãos plantando tomates para que jamais falte molho em todas as pizzas dessa fazendinha chamada: Brasil.
O escárnio é tão grande que até os verdadeiros pizzaiolos ficaram ofendidos por serem comparados aos senadores.
Hoje estou ainda mais envergonhado com a pequenez, mesquinhez, insignificância e nenhuma elevação moral dos políticos para conosco: os otários, assalariados, desempregados, esperançosos e estudiosos brasileiros.
José Neto

OPERAÇÃO BERNHARD

Quem diria que um grupo de judeus estava entre a ética e a sobrevivência, auxiliando assassinos nazistas, em troca da promessa de suas próprias vidas?
O maior programa de falsificação da história foi nomeado de “Operação Bernhard” (1942 a 1945), em homenagem ao nazi Bernhard Krüger que capturou, em Viena, o mais renomado falsário do mundo – Salomon Sorowitsch (1899-1960) – judeu formado na Academia de Belas Artes de Odessa (Rússia), para ser o grande banqueiro da II Guerra Mundial. A idéia era enfraquecer a economia dos Aliados e aumentar o número de mortes para além dos conhecidos 52 milhões (judeus, polacos, comunistas, dissidentes políticos, católicos, protestantes, homossexuais, negros, eslavos, húngaros, poloneses, ciganos, deficientes físicos, deficientes mentais, prisioneiros de guerra, sindicalistas, pacientes psiquiátricos e demais opositores), subjugados pela S.S.
Já no final do Terceiro Reich, mais precisamente no campo de Sachsenhausen, galpões 18 e 19, os falsificadores imprimiram – com perfeição – cerca de 130 milhões de libras esterlinas para fortalecer os cofres de Hitler e de seus comparsas, obcecados pelo poder. A quantia representava o quádruplo das riquezas estocadas no Banco da Inglaterra.
Nas horas vagas, também falsificavam dólares e passaportes para os ratos fardados que já preparavam suas fugas, planejando uma vida abastada, mesmo depois da aguardada derrota da Alemanha.
Dentre esses judeus falsificadores estava Adolf Burger (foto), preso n°64401, sobrevivente de Auschwitz-Birkenau (sul da Polônia), local onde deixou sua esposa Adele. Burger, ainda vivo, relator do episódio acontecido na “Gaiola de Ouro”, diariamente arriscava a vida do grupo, no intuito de atrapalhar e atrasar a entrega dos dólares falsos, acreditando que esse lapso de tempo poderia modificar toda a situação.
Mais tarde, em 1959, no Lago Toplitz (Áustria), foram encontrados vários engradados recheados com libras, entre tantos outros segredos da II Guerra.
Depois do suicídio de Hitler e de sua esposa Eva Braun (Führerbunker de Berlim - 30 de abril de 1945), Salomon, protegido pelo seu maior talento, frequentou inúmeros cassinos, com identidades variadas e dinheiro à vontade para jogar e se divertir com belas dançarinas. Burger escreveu um livro - "The Devil´s Workshop" - e ainda viaja com suas palestras reveladoras, replicando as marcas definitivas daquele período.
José Neto

MICHAEL JOSEPH JACKSON

Michael Jackson (1958-2009) foi um daqueles gênios, redundantemente excêntricos, que descobriu algo mais sobre a vida. O quê essas pessoas descobrem para marcar - para sempre - várias gerações?
“Thriller” foi o álbum mais vendido da história, superando todos os grupos e artistas, como: The Beatles, Elvis Presley, James Brown, Rolling Stones, Prince, Mariah Carey, Whitney Houston, Madonna entre tantos outros participantes desses enormes índices de venda.
Não sei se conseguimos entender a amplitude desse efeito, mas o planeta - mesmo que por alguns instantes - sentiu sua perda. Sua partida teve magnitude para dar uma queda de energia, um curto momentâneo na bola terrestre. Não lembro de outro feito para tal.
Não havia como não ser atingido pela doçura da sua voz aliada ao talento de suas performances. Ele agradou a quase todos.
Impossível encontrar um artista tão marcante em minha geração.
Perdemos um talento único, um gênio, um apostador.
Deixou inesgotáveis sucessos, revolucionou todos os segmentos do show business, partiu com uma dívida de 1 bilhão de dólares e sinaliza a comprovação de que existe algo na vida que pouquíssimos têm a possibilidade de descobrir.
José Neto

DIPLOMA

Cai a obrigatoriedade do diploma de jornalismo para contratação nos meios de comunicação. Para esta votação, apenas o ministro Marco Aurélio Mello (foto/de pé) votou a favor dos jornalistas.
Claro que a formação acadêmica continuará preparando bons profissionais para que aprendam a entender o que realmente está por trás dos acontecimentos e das intenções.
Se os jornalistas revelam coisas indesejáveis, a idéia é desqualificá-los para que as acusações percam força.
Dessa forma, agradam a alguns proprietários que vão poder reduzir salários de novos contratados, além de incentivarem textos vazios, descontextualizados, escritos por celebridades instantâneas.
Precisamos de iniciativa como a do ministro do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, que se dirigiu publicamente ao ministro Gilmar Mendes (foto/sentado) e disse: "Vossa Excelência está destruindo a Justiça deste País. Vossa Excelência está destruindo a credibilidade do Judiciário brasileiro".
Aguardemos manifestações de outros corajosos representantes.
Alguém tem o telefone do Arnaldo Jabor?
José Neto

MORAL OU ÉTICA?

Estamos acostumados a ler que falta ética no Brasil, mas essa é uma afirmação equivocada. “Ética é a passagem do sentido biológico para o cultural”. É quando optamos por uma doação - qualquer - de sentido, por um modo de ser, por um modo de existir; é quando respondemos à pergunta: Para quê viver? A finalidade que se encontra nessa resposta, representa a ética.
A moral está diretamente ligada ao respeito pelo outro, à necessidade de socialização, de educação para o bom convívio. A moral está presente na resposta à pergunta: Como devo agir?
A ética traz o Bem Viver (não significa viver bem); enquanto a moral deve trazer o Bem Agir. Na vida prática, o Bem Agir, a moral, é aquilo que nos proporciona a Bela Vida (não a vida bela), a alegria e o respeito por si mesmo.
A ética tradicional sempre esteve associada ao plano religioso, até o advento da Peste Negra ou peste bubônica (séc. XIV) transmitida através das pulgas de roedores que viajavam nos porões dos navios de comércio, vindos do oriente (1346-1352), quando um terço da população européia foi exterminada, 75 milhões de pessoas, despertando a consciência realista de que a Igreja nada pode fazer em relação à morte. Pior, ainda condenava a quem tentasse desenvolver a cura, alegando bruxaria.
Apesar de toda contribuição de René Descartes (França 1596-1650) à estruturação do Princípio Científico, somada a outros “esclarecimentos” do Iluminismo (séc. XVIII), quando Immanuel Kant (Alemanha 1724-1804) clamava para que a humanidade começasse a pensar por conta própria, utilizando sua autonomia; ainda hoje, em pleno século XXI, pessoas condicionam suas éticas a um ou outro tipo de religião, crendo que a contribuição, inclusive financeira, atenuará questões irrefutáveis, como a própria morte ou o bem viver.
Para o nosso país, falta moral. Há falta de respeito pelo outro, cometida, inicialmente, pela péssima distribuição de renda e pelo “como agir” consciente e estudado para lesar, impunemente.
José Neto

ALGUÉM GOSTA DE CRESCER?

Ando com uma saudade imensa da minha infância. A gente cresce e vai percebendo que caminha para um lugar bem diferente daquele que um dia pensáramos escolher.
Só hoje entendo os mais velhos dizendo que seria maravilhoso combinar experiência com juventude. Isso sim, seria um presente da vida. Mas, "quando achamos que sabemos as respostas, alguma Força muda as perguntas". O problema é que essa brincadeira segue por anos e, quando percebemos, tudo está diferente. Vem o espanto com as imposições do dono da vida: o tempo.
Alguns misturam teses freudianas com frases antropológicas, ditos gregos com provérbios budistas, para não aceitar a perda da infância.
Eu gostava de SuperAmigos, Pato Donald, Pantera cor-de-rosa, mas hoje sei que existem mensagens políticas e subjetivas até nos desenhos animados. Caramba, liberem pelo menos os desenhos animados. Mas, não, os políticos precisam de soldados e de dinheiro.
Eu brincava até ouvir a voz da minha mãe chamando pro almoço. Reclamava daquela interrupção maternal. Hoje vejo que ter almoço é praticamente uma bênção para a superpopulação mundial. O chato é que começo a entender que as mensagens nos desenhos, junto com a vontade dos políticos, fazem com que milhões de mães não chamem seus filhos para comer.
Olha no que a gente fica pensando depois que cresce.
José Neto

SEJAM BEM-VINDOS!

A vida tem sido um jogo de perguntas sem respostas!
Por trás de uma das inúmeras janelas desses edifícios altos, fico tentando digerir meus pontos de interrogação, cumprindo oito horas de trabalho, olhando para o caminhar perdido e desinformado da população.
Por quê algumas pessoas ganham em poucas horas o que outras não conseguem juntar durante uma existência inteira?
O controle dos países ricos há muito que define quem vive e quantos terão seus sonhos abreviados, no terceiro mundo. Quando alguém se aproxima de montar o quebra-cabeça, chega outro e chuta tudo. O segredo é não nos deixar pensar, nem estudar, nem argumentar e, muito menos, mudar. Para o não pensar: o consumo. Para o não estudar: o custo. Sem os estudos, automaticamente, os outros objetivos são atingidos com tranquilidade.
Quem saberia responder o motivo pelo qual o atual presidente empresta nosso dinheiro ao FMI, enquanto tantos brasileiros ainda morrem de sede e fome?
Eu espero que essa pacata audiência entenda o quão vantajoso é o analfabetismo dos infantes e juvenis, para os verdadeiros donos das “bocas”. Algumas perguntas têm respostas, mas não têm explicações. Isso se chama: manipulação.
Será que um analfabeto que anda só de chinelo e calção, sem vocabulário, sem passaporte, sem nome limpo; conseguiria entrar no país com drogas e armas pesadas?
Enquanto a lona do circo – todos os dias – é limpa e iluminada, os brasilienses comentam que as três atividades mais rentáveis da cidade, são: política, restaurantes e prostíbulos. Lá, assim como em todos os locais, os políticos não trabalham; os restaurantes quase não fecham; e os prostíbulos usam a mesma campanha daquele Banco, oferecendo serviços e cardápios, 30 horas por dia. Esse é o Brasil que vale!
Sejam bem-vindos ao Brasil das mulatas (menores de idade que se acumulam nas beiras das estradas), do samba (que alegra as quadras cercadas pelo tráfico), do futebol (que reforça a anestesia do inquietamento ausente) e do carnaval (porque os bicheiros também não são de ferro).
Viva Santa Maria, Pinta e Nina!!!
José Neto

SEMELHANÇAS

Curioso como alguns personagens tentam manipular, enquanto são manipulados por estratégias que contam com sua própria ignorância.
O jogo é aquele mesmo de “Tom & Jerry”, só que com irreversíveis consequências. Jerry visita a casa do cão de guarda para enviar uma mensagem a Tom que, em seu papel, se mostra publicamente preocupado com a proteção apresentada por seu companheiro. O cão, por sua vez, aceita a situação, porque pretende mostrar que pode afastar a presença do gato, pois essa é sua missão para com os donos da casa. Tom aproveita a encenação de seus inimigos-aliados e alimenta-se, sem pressa, na geladeira daqueles que pagam a ração do cão de guarda, sempre “deixando cair” uma bela fatia de queijo para Jerry.
Caramba! Que desenho legal!!! Acho que finalmente aprendo sobre "semelhanças"!
Dizem que não é bom mudar de assunto dentro do mesmo texto, mas vejo na TV que o presidente Lula visita Barack Obama, e fala dos motores Flex!
O que isso teria de desconhecido se a tecnologia Flex-Fuel foi desenvolvida, no final da década de 80, pela união de esforços dos EUA, Europa e Japão.
"Enquanto isso na sala de justiça"... Dilma ventila que “as trajetórias de Obama e Lula são semelhantes”?
Antes de comentar sobre a ventilada da Dilma, me confundi um pouco com os personagens. Estava falando de Tom, Jerry e o cão. De repente comecei a falar de Lula, Dilma e Obama! Mas, vamos continuar nas semelhanças.
Em linhas gerais, sei que Barack Hussein Obama, nasceu em Honolulu, Havaí, em 1961, formou-se em Direito em Harvard, foi professor em Chicago, Senador por Illinois e Presidente dos EUA.
Lula nasceu em Caetés, PE, frequentou aulas do primário, formou-se no curso de Torneiro Mecânico do SENAI, foi vendedor ambulante e engraxate.
Será que Obama concordaria com essa tal semelhança? Será que está faltando queijo para alguém mais? Será que Marcos Valério parou de distribuir os víveres da nossa geladeira?
Enquanto as viaturas policiais ficam sem combustível, e as crianças continuam sem merenda escolar; recomendo algo além das patacoadas de Tom, Jerry e o cão. Prestemos atenção nas lições geopolíticas mais uma vez oferecidas pelo incomparável Ridley Scott em “Rede de Mentiras”.
Se os desenhos animados de décadas passadas oferecem semelhanças; imaginem o Cinema contemporâneo global!
José Neto

PAPO DE JORNALISTA

Foca, meu filho. Apura essa barriga, revisa a cabeça, descola uma cápsula e checa a escuta. Presta atenção! Logo depois do meu almoço – hoje não vai dar tempo pra você comer – faz a cozinha daquele gillette-press da manhã, aproveitando o iceberg do dromedário. Olha só! Insere uns gatos, mas toma cuidado com o amarelamento, porque isso aqui não é gesso de sogra. Pode lavar a égua, mas depois passa pro Jujuba copidescar. Segue no coloquial, principalmente no olho. Não esquece de levantar um boxe pra essa nota fria. Fica ligado, porque o pé-de-boi tá doidinho pra te pentear. Esquece a plantação e vê se faz uma retranca que me faça chorar de emoção!
Preciso que o trovão seja forte para haver suíte nos próximos dias. Depois disso, dá os créditos às devidas traças, confere o deadline, condensa e pode descer pro fechamento.
Avisa pra tua mãe que vai ter pescoção na madrugada! A noite hoje é especial: Você vai aguardar uns VIPs lá no IML.
Tá claro, meu filho? Então pára de me olhar como se fosse botar um ovo de avestruz bem aqui na minha sala, e cai fora!
José Neto

Glossário abaixo...

FOCA: Jornalista principiante.
APURAR: Levantar informações.
BARRIGA: Notícia falsa ou errada.
CABEÇA: Início de uma notícia.
CÁPSULA: Título de grande efeito.
ESCUTA: Gravação de outros programas noticiosos.
FAZER A COZINHA: Adaptar um texto para publicação.
GILLETTE-PRESS: Aproveitamento de notícias/recortes de outros veículos.
ICEBERG: Texto que começa na primeira página e depois continua na página seguinte.
DROMEDÁRIO: Jornalista renomado e com muita experiência.
GATO: Substituição de uma palavra por outra.
AMARELAMENTO: Sensacionalismo sobre sexo, crime e esportes.
GESSO DE SOGRA: Lugar que qualquer um escreve qualquer coisa.
LAVAR A ÉGUA: Fazer a cobertura completa.
COPIDESCAR: Corrigir e/ou melhorar um texto.
COLOQUIAL: Linguagem cotidiana.
OLHO: Palavra(s) ou frase(s) com destaque, dentro do texto.
BOXE: Pequeno texto dentro de uma matéria.
NOTA FRIA: Notícia que não se refere a assunto do dia.
PÉ-DE-BOI: Jornalista veterano e safo.
PENTEAR: Corrigir um erro alheio.
PLANTAÇÃO: Divulgação de notícia não-verdadeira.
RETRANCA: Marcação detalhada, colocada nos originais.
TROVÃO: Legenda explicativa de foto.
SUÍTE: Sequência de um assunto com novas informações.
TRAÇA: Pessoa muito dedicada ao ofício jornalístico.
DEADLINE: Hora ou momento de fechamento de um jornal.
CONDENSAR: Adaptar um texto ao espaço.
DESCER: Enviar originais para o setor de composição.
PESCOÇÃO: Esticar expediente.

SLUMDOG MILLIONAIRE

O filme ganhador de oito cobiçadas estatuetas do Oscar (melhor filme, diretor, roteiro, fotografia, mixagem, edição, trilha sonora original e canção original), “Quem quer ser um milionário” ou "O milionário cão da favela", mostra a ferida exposta e gangrenada da Índia, República Parlamentar composta por 28 Estados e 7 territórios, acolhendo a segunda maior população do planeta: 1,2 bilhão de habitantes. A produção britânica revelou uma significativa parte da tristeza e miséria que se fundiram à vida daqueles sobreviventes da indigência.
No páreo com produções onerosas, o longa-metragem surpreendeu com seu baixo custo (US$15 milhões), alto grau de informação e nenhuma estrela no elenco. As cenas são inacreditáveis! Nada de efeitos absurdos, carros voadores ou personagens de HQ. O roteiro traz a vida dos verdadeiros super-heróis, pessoas que vivem abaixo da linha de pobreza, trabalhando e alimentando-se como animais.
Apesar de a história ter sua relevância, o que mais impressiona são as condições de descaso à vida, contrariando tudo que já lemos ou aprendemos sobre essas questões, desde a Trimurti, passando por Mahatma Gandhi e a Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Os atores mirins, moradores de uma das favelas locais, estão sendo tratados como representantes dessa catarse coletiva. A talentosa atriz Freida Pinto (foto) alivia a tensão dos espectadores com sua rara beleza, enquanto sua personagem (Latika) cria uma mistura de sensações, envolvendo amizade, amor e prostituição.
Trata-se de uma romanceada aula sobre o esgoto dos aplaudidos capitalistas globais que promovem “cães das favelas” (slumdogs) na Índia, facilmente encontrados também na África, na Colômbia, no Brasil e em tantos outros países.
Desliguem os celulares e aproveitem o filme!
José Neto

CONCURSOS S.A.

Domingo não é mais dia de missa na América Católica desempregada, é o dia dos concursos. Certa vez fui fazer uma dessas provas, mas quando cheguei ao local, não sabia se ali aconteceria de fato uma prova, se estavam distribuindo dinheiro, ou se acabara de suceder nova aparição da Virgem de Fátima em pleno subúrbio do Rio de Janeiro. O tumulto estava instaurado! Três horas antes do horário marcado, quase todos os guardadores de carro da cidade estavam mapeando e precificando as vagas da rua.
O mercado é vasto e negociado aos gritos, antes daquela necessária concentração pré-prova. Os berros anunciam a venda de caneta, lápis, borracha, escova de dente, enxaguatório bucal, absorvente, pingado de café com leite, cachorro-quente, refrigerante, pão na chapa, água, camiseta, marcador de texto, óculos escuros, prancheta, quentinha, sorvete, pilhas e até orações para N. Sra. Desatadora dos Nós. A rua se torna um palanque dos horrores, alinhavado pelo desespero dos crédulos e sofridos brasileiros. Ainda encontramos pessoas lendo Machado de Assis, manuais, estatutos, biografias, atlas, editoriais, apostilas, outras provas anteriores, tudo na esperança de uma última injeção de conhecimentos.
Não podemos esquecer de que existe uma forte carga dramática no local. Garotas se beijam como se nunca mais fossem se encontrar, pais desejam sorte e dizem que a promessa foi feita para que o filho finalmente comece a trazer dinheiro pra casa, namoradas dormem no ombro do parceiro, companheiros se abraçam intensamente, muitos olhares proféticos: uma novela.
Lá dentro, começam os comentários e as cenas de humor. Uns dizem que vão "gabaritar", enquanto outros dizem que vão desmaiar.
A coisa parece organizada. Tem supervisor com detector de metais, supervisor de área, supervisor de sala, supervisor de corredor, supervisor geral, supervisor dos envelopes de prova, supervisor de banheiro... Ufa! Quantos caciques! Ainda bem que nosso grupo de índios era bem grande. Enfim, toca uma cigarra ao estilo antigo, daquelas que anunciavam a hora do recreio, e mais outro supervisor avisa que – agora sim – podemos iniciar a bendita prova.
Quatro horas mais tarde, a maioria está com “cara de paisagem chuvosa”, na frente do prédio, esperando um conforto alheio!
Foi um domingo divertido! O que mais me fez rir, depois de todo esse circo, foi lembrar do salário oferecido para - nós - os indígenas que alimentam essa indústria dos concursos, cuja maior promessa é uma possível dignidade profissional.
José Neto

ILUSÃO-IDIÓTICA

Para tentarmos compreender um pouquinho do que acontece no mundo, temos de dialogar sobre 'referenciais'. A física, cada vez mais próxima das contextualizações destinadas à religião, tem papel surpreendente e crescente em todos esses assuntos.
É fundamental que percebamos a qual 'referencial' estamos correlacionando nossa vida, escolhas e resultados.
No início de 2009, o bilionário alemão – Adolf Merckle – cometeu suicídio por ter deixado de ganhar alguns milhões de euros numa movimentação feita a partir de ações da VW. Apesar de ser um frequentador assíduo da Revista Forbes, sempre na lista dos mais ricos do mundo, seus negócios contraíram dívidas robustas, motivo que o levou ao túmulo.
Qual era o 'referencial' desse alemão, sabendo que seu patrimônio particular declarado, girava em torno de 10 bilhões de euros (mais de 20 bilhões de reais)? Ter esse valor é o mesmo que acertar mais de 400 vezes no maior prêmio da história da mega-sena: 65 milhões de reais (out/99).
Noutro caso, observava o comentário do ator/produtor de Hollywood - Tom Cruise - quando dizia que não obteve sucesso financeiro com o terceiro filme da série Missão Impossível, pois investiu US$150 milhões e recuperou apenas US$130 milhões, dentro dos EUA. Ele não ficou feliz com o que iria receber, porque, seu cachê era o equivalente a 30% do arrecadado. Vale ressaltar que, no resto do mundo, o filme gerou mais US$260 milhões.
Mais uma vez, entra a célebre questão do 'referencial'.
Enquanto isso, pescadores do Ceará conversavam felizes e recompensados por terem conseguido alguns kilos de pescado para o sustento semanal da família, e para venda no mercado da cidade.
Como a vida é intrigante, não? Reflita em qual referencial estão debruçados os seus objetivos.
Penso que o início do ideal seria transpormos os obstáculos das primeiras necessidades, como: moradia própria, alimentação, saúde, estudos, viagens, lazer, segurança, alguma tranqüilidade financeira etc. No entanto, num país tão desigual como o nosso, fica difícil até para conquistarmos esses pontos básicos à sobrevivência.
Apenas para tentarmos ser um pouco felizes, vamos procurar não cair no que sempre intitulei de 'ilusão-idiótica', representada pelas metas desequilibradas. Desta forma, não cometeremos suicídio com bilhões na conta particular, nem nos tornaremos presas fáceis para o mundo, sorrindo da própria falta de estrutura.
Concluo: Se eu ganhar como o Tom Cruise, ficarei feliz!
Calma! Foi só um comentário jocoso para alegrar a tímida audiência!
Agora, também vou refletir sobre minha 'ilusão-idiótica' e tentar sorrir por ter uma lata de sardinhas, prontinha para o jantar.
José Neto